Venezuela e Agosto

Venezuela e Agosto

Alfonso Sastre

15 de Agosto de 2004

Hoje é o momento, mais do que nunca, da crítica. Cumpre "pensar contra o império", com certeza, mas também, nas nossa fileiras, contra o populismo e a burocracia! E, com certeza, sair à rua. Adeus às torres de marfim!

A situaçom é hoje extremamente ameaçadora, embora os planos internacionais do império se tenham visto, durante o último ano, atrasados -já que nom freados- em virtude da heróica resistência iraquiana aos seus propósitos de domínio mundial. Nom cabe, portanto, folgar numha retórica da confiança, na força quase milagrosa que teriam em si as razons dos povos, e nas suas capacidades de auto-organizaçom espontánea e de luita; e eu estou certo que o povo venezuelano está pronto a manter a legitimidade da sua Revoluçom com todos os meios ao seu alcance, para além do optimismo dos discursos, mas também para além do pessimismo de alguns analistas e comentadores, que estám a pensar que o 15 de Agosto nom é umha batalha o que a Revoluçom bolivariana poderia perder, mas nada menos que umha guerra contra o imperialismo. Eu nom acredito que seja assim, mas nom por isso asituaçom deixa de ser muito grave e comprometida.

Eu espero, sinceramente, que o grau de organizaçom e o entusiasmo popular garantam mais umha vez -face as forças gigantescas do grande antagonista- a continuaçom deste grande processo revolucionário, desta magna transformaçom.

Os intelectuais e artistas tenhem cultivado excessivamente noutros tempos actividades de mero acompanhamento dos processos revolucionários, desde escrever apologias ou hinos a chorar os heróis assassinados como contributo próprio a tais processos. Mas hoje é o momento, mais do que nunca, da crítica. Cumpre "pensar contra o império", com certeza, mas também, nas nossas fileiras, contra o populismo e a burocracia! E, com certeza, sair à rua. Adeus às torres de marfim!

Espero que o Congresso de Intelectuais nom seja mais um congresso, e que neste encontro nasçam actividades práticas e porventura consiga desenhar algumha linha geral para umha estratégia capaz de garantir a consolidaçom histórica desta luminosa esperança.

 

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