A fraude democrática dos EUA: ganhe quem ganhar, perdem os povos

1 de Novembro de 2004

Nas eleiçons ianques de 2 de Novembro, nom está em causa a estratégia genocida do imperialismo norte-americano. Tampouco o respeito à soberania dos povos, nem a renúncia à sistemática intromissom e orientaçom forçosa das políticas nacionais na América Latina e no mundo por parte da Casa Branca. Ganhe quem ganhar, os EUA continuarám sem assinar tratados internacionais que os comprometeriam na reduçom das agressons ao ambiente (Protocolo de Kyoto), na eliminaçom de testes nucleares, de minas terrestres ou contra o uso de crianças em exércitos, além do conhecido boicote à Corte Criminal Internacional, onde os seus sucessivos presidentes seriam os principais argüidos se chegasse a funcionar com algum rigor.

Nem Bush nem Kerry semelham dispostos a deter a agressom contra o povo iraquiano, que já provocou mais de 100.000 mortes entre a populaçom civil do país. As diferenças na questom limitam-se à política de alianças, prometendo Kerry que irá convencer novos aliados para colaborarem na campanha iraquiana. As diferenças existentes entre Bush e Kerry venhem correspondendo às que afastam a extrema direita do que na Europa constuma ser chamado de "centro direita", ambos de acordo no modelo neoliberal, no controlo social, na estratégia imperialista e, em definitivo, em manter-se à frente na marcaçom do rumo para um planeta que caminha para o desastre sob o jugo do capitalismo global.

Para além do dito, som conhecidas as regras de jogo da farsa eleitoral ianque, bem afastadas do mais mínimo controlo democrático. Os dous candidatos gastárom à volta dos 3,9 bilhons de dólares na campanha, graças no caso de Bush ao apoio das grandes firmas petrolíferas e armamentistas, enquanto Kerry é financiado por parte do empresariado ligado a Wall Street, tais como o conhecido David Rockefeller, Warren Buffet (considerado o segundo homem mais rico do mundo) ou grandes especuladores financeiros como George Soros.

A Televisom absorve a maior fatia de despesas eleitorais, nom existindo sequer horários gratuitos para outras candidaturas distintas da "Democrata" e a "Republicana". Nos últimos dias da campanha, ambos candidatos tinham inserido mais de 28.000 espaços publicitários pagos de conteúdo eleitoral.

A participaçom popular fica totalmente de parte no grande espectáculo montado pola burguesia estado-unidense para eleger o seu representante. Som directamente as grandes empresas que elaboram as candidaturas, com base no bilionário financiamento dos partidos com opçons.

Lembremos, ainda, que o voto popular nom elege o presidente, nem sequer formalmente, e apesar da teledirigida campanha. É um Colégio Eleitoral formado por 538 delegados que se encarrega. Cada estado envia um número de delegados segundo a populaçom que tem, de maneira que o candidato vencedor em cada estado fica com todos os delegados correspondentes do Colégio Eleitoral. Quer dizer, se um candidato ganha por um ponto de diferença num Estado, o outro representante perde toda a representaçom no citado Colégio eleitoral.

Esses batoteiros mecanismos permitem nom raro a vitória do candidato que obtivo menos votos, tal como de facto aconteceu com Bush nas Eleiçons de 2000. Acrescente-se que escassamente se ultrapassa a percentagem de 50% de participaçom popular, dificultando-se o voto com a obrigatoriedade de se inscrever previamente numha listagem oficial. A complexidade do processo dá para democratas e republicanos fazerem todo o tipo de manobras fraudulentas, sendo clássicas as invalidaçons massivas de votos por parte dos republicanos nos bairros operários com maior rechaço à candidatura da extrema direita hoje governante, ou a misteriosa desapariçom de milhares de cadastros, como de facto já aconteceu nesta mesma campanha.

 

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