Junta da Galiza dá via livre a Francisco Vasques para a oficializaçom do topónimo corunhês espanholizado

29 de Outubro de 2004

Diversos meios informam da cumplicidade com que o Governo autonómico acolheu a iniciativa do presidente da Cámara da Corunha para saltar por cima da legislaçom em matéria lingüística, tornando oficial o topónimo espanholizado do Concelho corunhês, governado polo PSOE.

O conselheiro da Educaçom da Junta da Galiza e máximo responsável da área de normalizaçom lingüística, Celso Currás, reconheceu a Francisco Vasques a competência para anular de facto a Lei de Normalizaçom Lingüística, que reconhece a forma galega dos topónimos galegos como única legal, e nom barbarismos e espanholismos como o ilegalmente utilizado até agora polo Governo municipal corunhês.

Nom é a primeira vez que a Lei de Normalizaçom Lingüística aprovada polo próprio PP fica em papel molhado, sendo mais bem essa umha prática habitual por parte das instituiçons espanholas na Galiza. Porém, o descaramento com que PP e PSOE actuam neste caso esclarece o respeito que a uns e outros merece a nossa língua nacional.

NÓS-Unidade Popular foi a primeira formaçom política galega que reagiu ante a fraude que prepara Francisco Vasques. Reproduzimos a seguir o comunicado da organizaçom independentista, que pode ser consultado também no seu web nacional:

 

NÓS-Unidade Popular denuncia a impunidade com que Francisco Vasques ataca os direitos lingüísticos dos galegos e as galegas

Nos últimos dias, tivemos ocasiom de ver novamente em acçom o máximo representante do extremismo espanholista adscrito ao PSOE na Galiza, atacando um dos principais sinais de identidade do nosso povo: a língua.

Amparado nas possibilidades que brinda a nova Lei espanhola de Grandes Cidades, o presidente da Cámara da Corunha ameaça com oficializar novamente o nome espanholizado do concelho corunhês. Ante semelhante iniciativa, NÓS-Unidade Popular quer manifestar o seguinte:

1.- Francisco Vasques é reincidente. Estamos ante um indivíduo significado polos seus constantes e sistemáticos ataques aos direitos lingüísticos do povo galego, que chega mesmo a desobedecer sentenças judiciais relativas à oficialidade exclusiva dos topónimos galegos, único ponto da legislaçom espanhola que veu outorgando (na teoria) certa preferencialidade à nossa língua.

2.- A gravidade do caso nom está nas já habituais saías de tom e insultos de Francisco Vasques à identidade e cultura da Galiza, mas na liberdade com que leva à prática iniciativas que suponhem a exclusom de umha significativa percentagem de corunheses e corunhesas galegofalantes que vem como o Governo municipal exclui absolutamente a nossa língua de toda actividade institucional.

3.- O caso de Francisco Vasques, por outra parte, nom é nengumha excepçom. Som sistemáticos e crescentes os casos de políticos e responsáveis de todo o tipo de instituiçons públicas actuantes na Galiza que coarctam os direitos lingüísticos das galegas e os galegos. Podemos pôr como exemplos eloqüentes o incumprimento das normas sobre uso do galego em absolutamente todos os níveis de ensino escolar; o rechaço a recursos legais escritos em galego-português por parte de julgados da Galiza, abocando à indefensom as pessoas que fam uso da língua do país; e um longo etcétera de incumprimentos da já raquítica legislaçom no pouco que tem de favorável para o nosso idioma, e que afecta aos mais variados sectores da maioria social galega.

4.- Nom temos, portanto, nengumha confiança em que a Justiça espanhola vaia parar os pés a este indivíduo, umha vez que a filosofia de fundo que guia a actuaçom de Vasques e dessa mal chamada Justiça som coincidentes.

5.- Ante umha realidade cada vez mais adversa para a comunidade lingüística galega, torna mais necessária do que nunca a articulaçom e autodefesa dos sectores populares interessados na sobrevivência da Galiza e da sua língua. Denunciando abertamente iniciativas como a do espanholista Francisco Vasques, e efectivando actuaçons próprias nos mais diversos ámbitos da vida social como, de facto, estám já começando a efectivar-se a nível de centros sociais monolíngües e autogeridos ou de meios de comunicaçom. Cumpre alargarmos essas vias e abrir outras novas.

6.- Para além das diferenças partidistas e mesmo das divergências em critérios tácticos, cumpre a compactaçom e actuaçom conjunta dos sectores favoráveis à normalizaçom da língua, frente a ataques institucionais e políticos como o que agora propom o dirigente do PSOE Francisco Vasques. Nesse caminho, nessa luita, esperamos encontrar-nos a filiaçom de NÓS-Unidade Popular com os restantes sectores normalizadores.

Galiza, 28 de Outubro de 2004.

 

:: Outras informaçons sobre a iniciativa espanholizadora de Francisco Vasques

- Francisco Vasques e o sonho da limpeza etnolingüística corunhesa (+...)

- Francisco Vasques volta a atacar os direitos lingüísticos dos galegos e as galegas (+...)


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