Quintana posa com Zapatero enquanto o BNG arreda qualquer pretensom soberanista

15 de Setembro de 2004

Se para algo serviu a sessom fotográfica conjunta entre o presidente espanhol e o porta-voz autonomista galego na Moncloa, além de confirmar-nos quanto gosta Quintana de armar-se em "importante", foi para comprovarmos como o BNG reduz as reivindicaçons históricas da Galiza a verbas orçamentárias e à já gasta ladainha do "reconhecimento institucional da realidade plurinacional do Estado espanhol".

Insistindo na "importáncia" de que pola primeira vez um líder "nacionalista galego" tenha sido recebido na Moncloa, o BNG escamoteia que por enquanto continuaremos sem ver umha representaçom nacionalista galega a expor ante o representante governamental espanhol, de igual a igual, os direitos nacionais que nos assistem como povo soberano e a nossa firme determinaçom de exercê-los.

Anxo Quintana limitou-se a sorrir nas fotos e a repetir ante @s jornalistas as frases de rigor, com o intuito de fazer figura de "sério e responsável", mostrando-se aberto a apoiar os orçamentos do Estado desde que sirvam para "liquidar" o que chama "dívida histórica" do Estado espanhol com a Galiza. Na linha dos autonomismos burgueses catalám e basco, mas sem o poder económico e político que PNB e CiU entesouram, o BNG fica em palavras para a galeria jornalística, insistindo isso sim em marcar o horizonte estratégico da sua actuaçom política na consecuçom de um reconhecimento espanhol para a nossa "nacionalidade histórica". Nengumha referência à soberania nacional, nem à consulta aos galegos e galegas quanto às relaçons que querem ter com esse Estado que nega a nossa condiçom nacional.

O perfil outrora nacionalista do Bloque fica assim esbatido na pura "gestom" dos dinheiros, na cambalhota dialéctica e os jogos malabares a três entre o representante institucional do nosso nacionalismo e os representantes do agressivo nacionalismo espanhol (PSOE e PP).

O próprio BNG reconheceu a sua coincidência com o PSOE em que "Galiza tem que ter outro lugar institucional, tem que ter outro lugar no Estado como nacionalidade histórica que é. A discrepáncia está em como fazê-lo". As diferenças entre o PSOE e o BNG ficam assim reduzidas, em opiniom do Bloque, a que "o PSOE está só por reformar pontualmente o Estatuto da Galiza, nom quer ser ambicioso", enquanto "o BNG aposta por um novo Estatuto, nessa linha imos trabalhar". Som palavras literais do porta-voz autonomista, Anxo Quintana. Eis as "ambiçons" d@s noss@s "nacionalistas", séri@s e responsáveis: um novo Estatuto de Autonomia para a Galiza.

Talvez devêssemos até celebrar a crescente "ambiçom" de Quintana e companhia, umha vez que até nom há muitos meses diziam que só aspiravam a que o Estatuto actual se cumprisse.

O representante do BNG acabou insistindo na capital do Reino em que o voto orçamentário do BNG nom está decidido, e poderá votar sim, nom ou abster-se em funçom do compromisso do PSOE com essa "dívida histórica" com que o próprio Quintana traduziu para euros os inalienáveis direitos históricos e políticos do nosso povo: para o BNG, a soberania espanhola sobre a Galiza vale 20.000 milhons de euros.

 

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Zapatero e Quintana: quanto a "bom talante", levam a melhor