Fraga acata ordens do PP madrileno e adianta eleiçons para Junho

22 de Abril de 2005

A direcçom espanhola do Partido Popular decidiu adiantar a convocatória eleitoral na Galiza, prevista para o próximo Outono, e Manuel Fraga acatou as ordens vindas de Madrid, marcando para 19 de Junho as Eleiçons autonómicas, nas quais o decrépito ex-ministro franquista tentará derrotar mais umha vez as outras duas forças parlamentares, BNG e PSOE.

A escusa de umha alegada "crispaçom social" tenta maquilhar frios cálculos aritméticos realizados na rua Génova de Madrid pola direcçom da direita espanhola governante na Comunidade Autónoma da Galiza (CAG). O PP madrileno julga ser este um momento de impasse para o PSOE pola polémica à volta do fantasmal Plano Galiza, e para o BNG ante a crise provocada pola decapitaçom de José Manuel Beiras por parte do sector hegemónico na sua direcçom (a UPG). De resto, a evidente mediocridade dos "líderes" do PSOE e do BNG fai com que o PP aspire ainda a manter a liderança eleitoral de um idoso de 82 anos com cada vez mais evidentes signos de decadência física.

Por seu turno, o porta-voz do BNG, Anxo Quintana, respondeu ao anúncio de Fraga com as já habituais frases vazias pensadas para a elaboraçom de manchetes de imprensa, do género de "Fraga acordou o leom...", "o BNG parte com vantagem porque já elegeu os quatro cabeças de lista...", entre outras "originalidades" semelhantes. Quanto ao objectivo do Governo alernativo que Quintana dixo representar, definiu-no como "de mudança para a Galiza, com quatro grandes eixos de redistribuiçom para atingir a igualdade de oportunidades entre o Estado e a Galiza e para lograr a devoluçom da dívida histórica que Madrid tem com esta Comunidade Autónoma" (??!!).

As acartonadas declaraçons de Quintana fôrom desta vez realizadas em Vigo, onde o porta-voz do BNG se reuniu com empresários do "Club Financiero" (sic) para os convencer de que o ecléctico programa do Bloque estará ao serviço de "todos", o que em termos reais significa que, como já adivinhamos há tempo, o Patronato nom tem nada a temer de um governo presidido por Quintana.

Quanto ao PSOE, a sua particular "pré-campanha" inclui a defesa da espanholidade explícita da Galiza, afirmada já nom apenas por Francisco Vasques, mas também polo "líder" Tourinho, que nos últimos tempos tem dado plena cobertura à ilegal intençom do presidente da Cámara corunhesa para a espanholizaçom dos topónimos galegos. A exibiçom de ministros e outras personalidades do PSOE vindos directamente de Espanha para a ocasiom fai parte dessa pré-campanha em que o PSOE nem se dá ao trabalho de semelhar um bocadinho mais "galeguista" que o próprio PP. Eis a alternativa d@s que dim ser "Governo alternativo e de progresso" ao fraguismo.

Semelha evidente que, seja qual for a cor da nova Junta resultante das Eleiçons de Junho, a cinzenta continuará a ser a cor identificativa da situaçom do País a seguir à convocatória eleitoral. De facto, as três forças coincidem no acatamento das leis fundamentais que asseguram o submetimento da Galiza a organismos institucionais e de poder alheios por completo à nossa naçom. Daí que os sectores soberanistas e de esquerda devamos tomar bem a sério a necessidade de construir umha verdadeira alternativa, a todos os níveis, às forças do sistema autonómico e constitucional espanhol. Umha alternativa pola autodeterminaçom e em defesa dos direitos sociais do Povo Trabalhador Galego, que nom pode esperar mais.

 

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Manuel Fraga: umha vida ao serviço da Espanha fascista, e a ponto de dirigir a sua última cruzada em terras galegas