BNG propom "aliança nacional" com PSOE e PP. Palmou responde afirmativamente

5 de Dezembro de 2004

O BNG, cuja vida política semelha limitar-se de uns anos para cá às pré-campanhas, campanhas e pós-campanhas eleitorais, continua de pré-campanha para as autonómicas apresentando propostas populistas que o invalidam como a alternativa nacionalista e de esquerdas que algum dia pretendeu ser.

A última, a ideia apresentada polo porta-voz do Bloque, Anxo Quintana, que propom umha "grande aliança nacional em defesa da Galiza" no Senado espanhol, para conseguir "os orçamentos que os galegos merecem". A aliança seria formada, segundo os desejos do BNG, polos senadores e senadoras das sucursais galegas do Partido Popular e do PSOE na Galiza. O PP já se mostrou, através do seu secretário geral na Galiza, Jesus Palmou, disposto a fazer frente comum com o BNG no veto aos orçamentos do Estado.

O autonomismo galego reduz assim os antagonismos políticos existentes na sociedade galega, como naçom dependente e sociedade dividida em classes, à simples nascença dos diversos agentes políticos. Tanto fai se o PP representa a extrema direita espanhola e o PSOE se limita a fazer de delegaçom regional, ou se ambos defendem, como acontece nestes dias na Corunha, a manutençom do título de filho predilecto para o ditador espanhol Francisco Franco. Tampouco interessa que o PP seja o principal responsável pola gestom da crise do Prestige e polo desastre sócio-ambiental que significou, nem que o PSOE esteja agora a gerir o desmantelamento da indústria naval pública galega. Nem sequer que o esmorecimento da nossa língua fique enquadrado na estratégia espanholizadora de ambos partidos espanhóis.

Apesar do anterior, o BNG propom que os 19 senadores "galegos" unam os seus votos para que "todos os compromissos que o Estado deve a este País" fiquem "solidamente garantidos", insistindo na necessidade de reclamar a "dívida histórica" do Estado espanhol com a Galiza, que Quintana chegou a situar em 20.000 milhons de euros. Para além do ridículo cálculo económico, os delírios eleitoralistas mostram-nos agora um BNG disposto a se juntar com os responsáveis políticos da dependência da Galiza para reclamarem nom sabemos a quem nom se sabe que orçamentos "que os galegos merecemos", por parte do Estado espanhol.

Com umha linguagem dirigida a um povo menor de idade e nom ao sectores conscientes da natureza dos graves problemas que padecem as classes populares da Galiza, Quintana afirmou que "é tempo de trabalhar e nom de brigar", revelando o seu "assombro e estupor" pola "inútil disputa" entre PSOE e PP enquanto a Galiza joga o seu futuro.

Qual a alternativa do BNG?

Que PP e PSOE arrumem as suas birrinhas e se unam ao Bloque para reivindicar frente ao Governo espanhol (do PSOE, lembremos) uns orçamentos que permitam fazer muitas estradas e outras infraestruturas na Comunidade Autónoma Galega, pois é aí que o nosso autonomismo situa a soluçom para os problemas deste País.

Quintana concluiu a sua delirante proposta dizendo que os partidos estatais devem dedicar-se ao "diálogo e à unidade", garantindo que com esse tipo de propostas demonstra o BNG "com factos e soluçons o seu respeito polo País" (sic).

 

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