Plataforma contra o desfile militar na Corunha apresenta manifesto "Nom os queremos"

24 de Março de 2005
Conforme avançamos em dias passados, diversas entidades sociais e políticas constituírom a plataforma popular que contestará o desfile militar com que o exército espanhol tenciona comemorar o chamado Dia das Forças Armadas na cidade da Corunha. A plataforma, em que se tenhem integrado novas organizaçons, promoverá iniciativas diversas que culminarám com umha manifestaçom no mesmo dia 29 de Maio, data prevista para o desfile militar na cidade do Noroeste galego.
A seguir, apresentamos o manifesto aprovado polas entidades que conformam a Plataforma, em que se dá conta da posiçom contrária à presença militar espanhola no nosso país.
NOM
OS QUEREMOS
No próximo
dia 29 de Maio, o exército espanhol vai desfilar com a sua parafernália
militarista polas ruas da Corunha. O Governo municipal do PSOE -o mesmo que
abriu as portas ao Governo de Aznar e foi o seu principal apoio ao longo da
crise do Prestige-, a Junta do Chapapote e todas as forças vivas saudam
o glorioso exército espanhol na Galiza.
O desfile é
parte da ofensiva do Governo do PSOE para fazer visível e normal o
que nom é mais do que umha quimera: a unidade de Espanha. À
sua frente, estám hoje o presidente da Cámara da Corunha mais
o seu amigo, o ministro da Defesa Jose Bono. Desta vez, decidírom que
o "desfile da vitória" se figesse numha cidade de umha das
naçons oprimidas polo Estado espanhol: Galiza.
Esta naçom,
historicamente assovalhada polas forças dominantes do Estado, está
a sofrer umha nova vaga de reconversom que implica o despedimento de milhares
de trabalhadores, como é o caso de Izar. O desemprego e a precariedade
atingem percentagens superiores à média estatal e condenam milhares
de moç@s e mulheres à emigraçom. Numha naçom que
recentemente sofreu um dos maiores atentados sociais e ecológicos da
história europeia e mundial foi que decidírom que o "glorioso"
exército espanhol faga a sua demonstraçom neste ano.
O mesmo exercito
que, quando o povo galego se encontrava na rua e no mar a luitar contra o
Chapapote político e ecológico, véu, com a escusa da
"ajuda aos danificad@s", para avalizar o governo espanhol e o próprio
Estado, verdadeiros responsáveis polo atentado. Como nom lembrarmos
o seu patético e vergonhoso comportamento naquelas jornadas, que ficou
para sempre gravado na nossa memória colectiva?. Como nom havemos de
rejeitar com toda a rotundidade a teimosa e burda patranha de ocultar essa
infámia que mesmo se apresenta como ajuda benéfica e humanitária?
Lembremos também
como o "glorioso" exército espanhol tem no golpe de Estado
de 1936, na posterior guerra civil e na longa noite de pedra da ditadura fascista
o seu mais importante sinal de identidade; umha referencia inseparável
dos longos anos de esmagamento de direitos e aspiraçons dos trabalhadores
e das naçons e da repressom das libertades democráticas. A demonstraçom
do 29 M é herdeira directa dos desfiles que lembravam à populaçom
a "vitória" do fascismo.
Este mesmo exército
participou na intervençom imperialista com os EUA e Gram Bretanha no
Iraque até que a mobilizaçom popular impujo a sua retirada.
É o exército que hoje, com a escusa da "ajuda humanitária",
contiua no Afeganistám, fazendo parte de ocupaçom deste país,
e no Haiti é parte das tropas que garantem o golpe promocionado polos
EUA e França contra o presidente Aristide.
O "glorioso"
exército espanhol é, com o rei, a garantia constitucional da
unidade de Espanha à força, umha garantia baseada na ameaça
constante contra os povos e naçons que aspiram a exercer em liberdade
o seu direito a se autodeterminarem. Para que se quer um exercito -quer dizer,
as suas armas- se a tal unidade é "livre", como assegura
a propaganda do nacionalismo espanhol?
Também a aclamada Constituiçom Europea outorga novas tarefas ao exército espanhol. Converte-o em parte do conglomerado de exércitos imperialistas europeus que, em nome da "ajuda humanitária", da "defesa da democracia" ou da "guerra contra o terrorismo", podem intervir em qualquer lugar para prevenirem situaçons de conflituosidade social ou actuarem policial e militarmente contra os povos dispostos a exercer o seu direito de livre determinaçom. O exército espanhol fai parte da força policial e militar europeia preparada para gerir o estado de excepçom permanente a que se nos tenta submeter.
Nisso é
que consiste a sua modernizaçom. Porque o principal inimigo somos nós.
Este é o exército que vai desfilar. E para que seja útil
aos seus cometidos, tem de estar bem oleado. Por isso, aos gastos militares
nom é aplicado o défice zero. Enquanto se reduzem os quadros
de pessoal na Segurança Social e no ensino, se privatiza o transporte
ferroviário e todos os bens públicos, se congelam os salários,
com conseqüências fatais para os direitos e conquistas de trabalhadores
e trabalhadoras, as campanhas para recrutar novos soldados nom cessam e os
orçamentos para gastos militares nom deixam de aumentar: som os únicos
que se incrementam nos últimos orçamentos do Estado, ocultos
atrás de termos tam assépticos como a Investigaçom e
o Desenvolvimento (o I+D). A maioria dos gastos de I+D dos orçamentos
dedica-se à investigaçom militar. E essa nom é investigaçom
para a paz nem para o desenvolvimento.
O Povo Trabalhador
Galego, nomeadamente a sua juventude, por meio da luita antimilitarista, foi
determinante na aboliçom do Serviço Militar Obrigatório
(SMO) em 2001 e no questionamento e desprestígio social do militarismo
espanhol, que é mesmo incapaz de recrutar ano após ano o número
de soldados imprescindível para alimentar a sua letal maquinaria.
O exército,
enfim, é a coluna vertebral desta política: tanto simbólica,
com a sua parafernália e as suas bandeiras, como real, com as armas
que imponhem à força um quadro jurídico-político
e um sistema económico e social antagónicos com os interesses
da maioria social.
A comemoraçom
do Dia das Forças Armadas na Corunha é um desprezo para esta
cidade e para a Galiza inteira. Contra o que nos di a propaganda reaccionária
do vasquismo, entusiasmado por acolher o evento, a Corunha nom é o
foco da Galiza provinciana, espanhola e direitista. Na Corunha ressurge a
nossa língua e nasce o nacionalismo galego; na Corunha desenvolve-se
umha forte tradiçom obreira e sindicalista revolucionária a
que se vinculam as mais importantes greves da nossa história; na Corunha
tivo lugar umha das mais contudentes e massivas resistências ao alçamento
fascista, precisamente dirigido polo exército que agora se homenageia;
na Corunha tem um dos seus núcleos principais a guerrilha anti-franquista
dos 40; na Corunha articulam-se respostas galegas e populares nas últimas
quatro décadas nos campos mais diversos da luita política. Som
esta cidade e este País que reivindicamos a partir da pluralidade de
vozes e implicaçons contra o desfile militar, luitando por umha resposta
coordenada.
A passada intervençom
contra a Constituiçom europeia demonstrou que existe na Galiza um modesto
mas relevante espaço social de combate. A vontade de alargarmo-lo,
implicando mais e mais sectores e alimentando umha verdadeira dinámica
política plural e de massas, leva-nos a um amplo conjunto de organizaçons,
colectivos e pessoas a fazer um chamado à participaçom activa
para explicitar na rua, desde hoje até o dia 29 de Maio, que a Galiza
nom permite tal vexame.
FORA TROPAS
DO AFEGANISTÁM E O HAITI
POLO DIREITO DE AUTODETERMINAÇOM DOS POVOS
GASTOS MILITARES PARA GASTOS SOCIAIS
FORA EXÉRCITO ESPANHOL DA GALIZA
Galiza, Março de 2005
Manifesto contra o desfile de 29 de Maio
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