BNG e CIG defendem a permanência na Galiza da central térmica mais contaminante da Península

20 de Dezembro de 2004

O que historicamente fora denúncia ante a funçom colonial reservada polo imperialismo espanhol à Galiza através da promoçom de indústrias altamente poluentes como as centrais térmicas, papeleiras e outras do género, virou agora oportunismo e localismo por parte de um nacionalismo degenerado em vulgar autonomismo.

Assim, o Governo local das Pontes, com maioria absoluta do BNG, convocou umha manifestaçom na Corunha para protestar contra a aplicaçom dos critérios do Protocolo de Kyoto às duas centrais térmicas instaladas na Galiza: a de Endesa nas Pontes e a de Unión Fenosa em Meirama (Cerceda). A primeira delas é o primeiro centro emissor de CO2 da Península Ibérica e duodécimo da Uniom Europeia. A segunda é o sétimo maior foco de contaminaçom por CO2 da Península. Ambas som as principais responsáveis pola contribuiçom da Galiza para o efeito estufa e, portanto, para a mudança climática, como parte de um sector, o energético, que representa 41% do total de emissons. O segundo grande sector responsável polo efeito estufa na Galiza é o do transporte, representando 16,7%.

Centenas de pessoas, levadas em autocarros fretados pola Cámara municipal das Pontes, manifestárom-se atrás do regedor pontês, Víctor Guerreiro, do BNG, e de Bautista Vega Tato, da Executiva Confederal da CIG. Ambas organizaçons, longe do discurso histórico do nacionalismo galego em defesa de um desenvolvimento sustentável como eixo da construçom nacional galega, aderírom ao populismo localista manifestando a oposiçom aos critérios de Kyoto, que obriga as citadas centrais a reduzir em 30% as emissons. Ante a ameaça patronal de clausura, partidos políticos e sindicatos de todo o espectro institucional esquecêrom a retórica ambientalista que costumam representar, para reproduzirem argumentos habituais no Governo ianque e nos grandes impérios económicos, rejeitando a reduçom de emissons de gases responsáveis polo efeito estufa.

Também o PSOE, que governa em Cerceda, está nestas semanas a defender posiçons próprias da patronal e das multinacionais do sector energético, opondo-se a qualquer reduçom na central térmica de Meirama, apesar de ser o próprio PSOE quem tenta cumprir do Governo espanhol o pacto internacional contra o aumento de emissom de gases que provocam o efeito estufa.

Lembremos que ambas centrais térmicas nom só emitem gases incluídos na regulamentaçom do Protocolo de Kyoto, como também outros excluídos mas igualmente daninhos, como é o dióxido de enxofre, causante das chuvas ácidas. Em concreto, a central das Pontes é o primeiro foco emissor de SO2 da Uniom Europeia e o de Meirama é o quinto.

Sendo habitual e até compreensível o exercício de populismo e oportunismo que caracteriza forças como o PSOE, o PP ou os sindicatos espanhóis maioritários, resulta especialmente preocupante a posiçom neste assunto do BNG e a CIG. Ambas forças situam-se contra os critérios ambientalistas de entidades como ADEGA ou da própria esquerda independentista, deixando assim clara a ausência de qualquer planificaçom sócio-económica alternativa para a nossa naçom em chave de construçom nacional e sustentabilidade ambiental.

A perspectiva estratégica mostrada polo autonomismo galego nestes dias resume-se numha das faixas exibidas na citada manifestaçom da Corunha: "polo reparto justo das quotas de CO2". Quer dizer, limitam-se a pechinchar quotas de contaminaçom, sabendo que as centrais térmicas em causa tenhem sido e som inimigas do desenvolvimento harmónico da Galiza, para além do benefício salarial imediato e localizado que podam outorgar nas vilas em que se instalárom. Nengumha delas resiste umha análise sócio-económica minimamente progressista e em chave de País.

De resto, nom esqueçamos que a central das Pontes é o álibi para a construçom do porto exterior em Ferrol, veementemente defendido polo BNG junto aos restantes partidos do sistema, que antes da sua inauguraçom tem já causado um irreparável dano ambiental na comarca de Trasancos. O motivo é que a central de Endesa nas Pontes precisará de carvom importado que chegará por mar ao citado porto. Porém, o recorte previsto pom agora em questom o faraónico projecto na entrada da Ria de Ferrol.

As referências à recessom económica, ao entrave no desenvolvimento e o questionamento do crescimento como fetiche da religiom capitalista, juntamente com a negaçom da evidência à volta da mudança climática, som os argumentos com que estados como os EUA ou a Austrália (responsáveis ambos por um terço dos gases de efeito estufa) rejeitárom ratificar o Protocolo de Kyoto. Idênticos motivos estám a ser difundidos agora no nosso país, juntamente com o localismo e imediatismo mais eleitoreiro, para evitar que as Pontes e Meirama deixem de ser pontas de lança da economia especulativa e inimiga do Planeta e os povos.

De facto, por volta de 40% da electricidade que a Galiza gera é dedicada à exportaçom e gerida por multinacionais fora do nosso controlo. As emissons de carbono por habitante na Galiza atingem as 5 toneladas, dez vezes mais do que as médias espanholas e muito superior à média de qualquer Estado europeu. É perfeitamente exigível um outro modelo que garanta o controlo do sector energético por parte da maioria social galega e que harmonize as necessidades económicas e sociais com o respeito ao planeta. Todo o contrário do que representa a depredaçom protagonizada nas últimas décadas por Endesa e Unión Fenosa na nossa naçom.

 

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