Avança processo revolucionário na Bolívia

10 de Março de 2005

A nova ofensiva revolucionária, terceira de grandes dimensons nos últimos meses, provocou o amago de renúncia de Carlos Mesa, presidente substituto de Sánchez de Lozada, que por seu turno caiu do poder empurrado pola força das massas em luita contra as transnacionais e a oligarquia.

Na fase de luita actual, acabou de verificar-se umha aliança entre os diversos sectores da oposiçom popular, o denominado "pacto revolucionário de unidade", assinado pola Central Obreira Boliviana (COB, do dirigente mineiro Jaime Solares), a Confederaçom Sindical Única de Trabalhadores da Bolívia (liderada polo indigenista Felipe Quispe), as federaçons de cocaleiros do deputado do MAS Evo Morales, a Coordenadora de Defesa do Gás liderada polo operário Óscar Olivera, a Federaçom de Juntas Vicinais do El Alto, sob liderança de Abel Mamani, e outras organizaçons menores que conformam um vasto movimento de massas que pola primeira vez atinge um alto grau de unificaçom.

Lembremos que um dos calcanhares de Aquiles do movimento revolucionário boliviano nas revoltas anteriores vinha sendo a divisom dos diversos sectores que o conformam, o que dá especial trascendência ao princípio de unidade agora atingido, que inclui a principal força da oposiçom parlamentar, o Movimento ao Socialismo (MAS) que até há pouco dava algumha cobertura à política governamental do neoliberal Carlos Mesa.

A tentativa de Mesa para articular um bloco neoliberal e oligárquico em defesa da entrega às transnacionais do petróleo e a água bolivanos, fijo com que se produzisse um novo movimento insurreicional com bloqueios de estradas mobilizaçons massivas que favorecêrom a unificaçom dos sectores opositores.

A luita social e de classes vive um novo período de agudizaçom num dos países mais pobres da América Latina, com um movimento operário e camponês que afirma como objectivo a derrubada da oligarquia e a toma do poder mediante umha Assembleia Constituinte que nacionalize o gás e os sectores estratégicos da empobrecida economia boliviana. Entretanto, e como costuma acontecer em contextos revolucionários, as forças revolucionárias já denunciárom a existência de um plano reaccionário fascista patrocinado polos EUA para dar um golpe de leme à situaçom bolivana gorando a via revolucionária e garantindo a continuidade do sistema capitalista ao serviço do imperialismo e as transnacionais.

Cada vez semelha mais necessária a conformaçom de umha dirigência política unificada que dirija a pressom popular para a tomada do poder polas forças revolucionárias, evitando que mais umha vez as instituiçons burguesas podam recompor a situaçom, quer com medidas quer reformistas, quer fascistas, que deixem todo na mesma.

 

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Mulheres indígenas participantes no bloqueio de estradas que mantenhem paralisados trinta e nove pontos em cinco dos nove departamentos bolivianos