Oito trabalhadores galegos do mar morrem no Cantábrico

24 de Fevereiro de 2005

A listagem de trabalhadores e trabalhadoras galegas mortas no seu posto de trabalho viu-se dramaticamente aumentada após o afundamento do pesqueiro "Siempre Casina", de Burela, que deixou em evidência mais umha vez a falta de recursos eficientes e próprios para a protecçom da vida dos nossos marinheiros.

O acidente aconteceu a poucas milhas da costa da comarca da Marinha, e custou a vida a todos os tripulantes menos um, que pudo ser resgatado. Os falecidos som dous galegos de nascença, burelaos, e mais seis galegos de adopçom, originários do Peru, Cabo Verde e Senegal, que com o seu trabalho e residência no Norte da nossa naçom faziam já parte do nosso Povo Trabalhador, sempre aberto à acolhida de irmaos e irmás trabalhadoras de outros povos do mundo.

Nom é a primeira vez que acontecem factos semelhantes nas nossas costas, tendo sido 22 os trabalhadores do mar galegos mortos no ano passado. Neste ano iam duas vítimas mortais oficialmente contabilizadas, que agora som já 10. Apesar de ser a Galiza historicamente umha naçom em que a pesca tem representado um dos principais esteios da subsistência das nossas classes populares, continuamos a carecer de meios efectivos de resposta imediata a contingências como a desta semana, talvez porque as instituiçons pensem já na culminaçom do desmantelamento definitivo de um sector que situou durante muitos anos a Galiza à cabeça das potências pesqueiras mundiais.

De facto, a activaçom dos labores de salvamento demorou mais de meia hora por problemas na comunicaçom marítima, serviço privatizado e responsabilidade da multinacional Telefónica Espanhola. Os barcos que participárom na operaçom de resgate som velhos rebocadores e buques. À falta de barcos adequados soma-se a de profissionais galeg@s do mergulho de salvamento, o que obrigou a trazer mergulhadores de Alacante e Cartagena.

Repetem-se portanto as precárias condiçons de resposta pola falta de dotaçom técnica, mecánica e humana ante tragédias que já se vírom em tantas ocasions anteriores, incluídas nom só os acidentes laborais, mas também os sinistros de grandes petroleiros como o Prestige. Enquanto se esbanjam grandes quantidades de dinheiro público em questons indiferentes, quando nom contrárias às necessidades da classe trabalhadora galega, evita-se acometer umha dotaçom global, em chave nacional, que garanta até onde é tecnicamente possível, a segurança dos nossos trabalhadores e trabalhadoras do mar.

As famílias e companheir@s dos trabalhadores mortos fôrom as primeiras a reclamar mudanças em matéria de segurança marítima para que deixe de pairar a morte quase certa sobre aqueles que tiverem o azar de serem vítimas de um golpe de mar ou umha avaria na embarcaçom. Aderimos de Primeira Linha em Rede a essa exigência e transmitimos o nosso fundo pesar a todo o povo trabalhador de Burela.

 

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