Líder dos patrons espanhóis alerta contra "os nacionalistas radicais", reclamando a "unidade de mercado" que o Estado espanhol representa

15 de Abril de 2005
Como se de um conto de medo se tratasse, o líder do Patronato espanhol, José María Cuevas, afirmou em Córdoba que "os nacionalistas radicais tenhem por objectivo a independência, e se puder ser por meios pouco democráticos, pois também o aceitam". O chefe dos patrons espanhóis acrescentou com tom de preocupaçom que as mensagens nacionalistas periféricas "som negativas para o mundo empresarial porque, em definitivo, tencionam romper a unidade de mercado, a coesom social e territorial, e a presença de Espanha como naçom nos mercados internacionais".
Insistindo na ideia, para ele sem dúvida delictiva, de que "os nacionalistas radicais buscam a independência de Espanha", mostrou a sua preocupaçom porque o debate autonómico dê pé a cessons autonomistas, o que está a fazer com que os empresários adiem a tomada de decisons importantes, como a que chamou de "modernizaçom do mercado de trabalho", eufemismo com que reclamou novas contra-reformas que mutilem ainda mais os direitos laborais da classe trabalhadora galega e das restantes naçons submetidas polo Estado espanhol.
Alinhando com o PP, Cuevas qualificou as possíveis reformas autonómicas de "debate estéril e confuso", mostrando-se contrário a qualquer modificaçom da Constituiçom espanhola de 1978 "que tanto bem nos tem gerado". Defendendo o lucro, esse sim, que o modelo de Estado-mercado espanhol tem gerado para a oligarquia que Cuevas representa nas últimas décadas, denunciou que se esteja a "auspiciar a ruptura do Estado espanhol".
Outro oligarca empresarial, Santiago Herrero (presidente da CEA), sublinhou no mesmo acto a mesma ideia, reclamando veementemente que se combata a possibilidade de "esquartejar Espanha em Reinos de Taifas".
As palavras destes
destacados elementos da grande burguesia espanhola ponhem em evidência
o valor que o Estado espanhol tem para os seus donos: um grande aparelho ao
serviço de um mercado que gera imensos lucros que só podem ser
garantidos mediante o submetimento de povos que, como o galego, carecem do
mais mínimo poder de decisom sobre o seu futuro e, portanto, sobre
a possibilidade de mudar o rumo do capitalismo selvagem que padecem. Daí
a insistência de Cuevas e os seus amigos em reivindicarem "a unidade
de mercado" que representa o projecto nacional espanhol, e a aberta rejeiçom
da possibilidade de que se debata o mais mínimo à volta da "unidade
da pátria" em que se baseia a antidemocrática Constituiçom
espanhola de 78.