O rei espanhol centra o seu discurso anual na defesa obsessiva da unidade do Estado

25 de Dezembro de 2004

Como cada ano desde que Franco lhe cedeu o cargo de chefe de Estado, Juan Carlos de Bourbon dirigiu um discurso televisivo ao conjunto de povos submetidos pola Constituiçom espanhola. Desta vez, umha ideia atravessou de maneira obsessiva um discurso de breves minutos: a defesa da continuidade do projecto nacional espanhol frente ao que chamou "ambiçons particulares", em velada referência aos direitos nacionais dos povos sem Estado como a Galiza.

Até em oito ocasions se referiu o rei espanhol à necessidade de "preservar a uniom solidária das diversas terras de Espanha", pedindo que "sigamos construindo juntos e com a mesma ilusom umha Espanha melhor cada dia", transmitindo "a nossa identidade, cultura e tradiçons", teimando em defender umha inexistente e mitológica "Espanha, como Naçom lavrada durante séculos polos nossos antepassados, terra a que pertencemos e lar comum", alentando o chauvinismo com afirmaçons como que "temos um país invejável" e concluindo que "ao ser Espanha a nossa pátria comum, todos devemos contribuir com ilusom, desde o entendimento e a concórdia, para assegurar o seu futuro".

Como se vê, embrulhado em grandes palavras, o monarca espanhol imposto por Franco defendeu mais umha vez um suposto destino comum pré-fixado por nom se sabe que entidade divina, que obrigaria os nossos povos a permanecer submetidos ao domínio oligárquico espanhol representado pola Constituiçom de 78.

A outra ideia insistentemente repetida no discurso de ontem foi a defesa dessa Constituiçom de 78. Em meia dúzia de ocasions referiu-se Juan Carlos de Bourbon à "vigência e respeito pola nossa Constituiçom", defendeu a manutençom dos "princípios e valores da nossa Constituiçom e o prezado consenso em que se baseia", a necessidade de "instituiçons sólidas e devidamente apoiadas, assim como fomentar as propostas integradoras", e o que chamou "normas de convívio democrático", em referência à manutençom do estatuto subordinado de povos como o nosso e a economia capitalista no falso regime democrático representado em primeira instáncia por umha instituiçom medieval e hereditária como é a própria coroa.

Para além de toda a palavrada oca e a retórica de direitos fundamentais com que enfeita o seu discurso cada ano, a insistência com que o chefe de Estado espanhol se referiu nesta ocasiom à defesa da unidade do Estado e da Constituiçom de 78 mostra a fraqueza de fundo que continua a lastrar o projecto nacional da oligarquia espanhola. Transparece também como as aspiraçons soberanistas de povos como o nosso som hoje a principal ameaça para os planos da grande burguesia que sustenta o regime com que o franquismo se maquilhou para adquirir umha certa homologaçom com as democracias burguesas europeias.

Resta agora saber é se o BNG e outras forças autonomistas das naçons sob administraçom espanhola avaliam positivamente o discurso, como figérom de maneira explícita após o discurso do passado ano.

 

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