As farsas eleitorais da democracia burguesa

29 de Janeiro de 2005

Apresentamos o artigo de opiniom do secretário geral do nosso partido, Carlos Morais, que pom em relaçom a jornada eleitoral de amanhá no Iraque e a campanha polo referendo constitucional do próximo mês de Fevereiro.

 

As farsas eleitorais da democracia burguesa

Carlos Morais (membro da Permanente Nacional de NÓS-Unidade Popular)

Salvando as óbvias diferenças de dous processos muito diferentes e situados em duas regions do planeta totalmente diversas, incomparáveis de todos os parámetros possíveis, as iminentes eleiçons do Iraque e o previsto referendo sobre o Tratado Constitucional Europeu, nom passam de ser umha grosseira farsa democrática, umha monumental fraude, ao exclusivo serviço de idênticos interesses: o GOD do grande capital. Um deus cujas eloqüentes siglas inglesas (Gold, Oil, Drugs), correspondente a ouro, petróleo e drogas, nom deixam lugar a muitas dúvidas.

Ambos processos emanam dumha derrota militar, a que padeceu o Estado iraquiano em 2002 quando o país foi invadido pola mais poderosa maquinaria militar da história da humanidade, -a coligaçom anglo-norte-americana ratificada nos Açores-, e a da II Republica espanhola em 1939, após a vitória do franquismo tutelado pola Alemanha nazi e a Itália de Mussolini, com o consentimento das "democracias" ocidentais. O governo títere de Bagdad e a actual monarquia borbónica som imposiçons militares, som realidades emanadas de exércitos de "ocupaçom" falsamente denominados de "libertaçom".

No Iraque, a brutalidade é permanente, a selvajaria é tangível, com partes de guerra diários, nom se pode ocultar, nem minimizar; na Galiza as duas últimas décadas de aparente "normalidade democrática" tenhem superado com amnésia educativa e com anestesia informativa as origens da actual Espanha de ZP. A resistência é fraca, dispersa e sem capacidade ofensiva. Porém, nom está derrotada. Existe e tem vontade de reorganizar-se.

Ambas as consultas procuram ratificar e legalizar dous quadros jurídico-políticos impostos polo imperialismo, sem contar com a voz e a palavra do povo. Este tam só é utilizado como álibi para justificar a ditadura da burguesia.

Mas o resultado das "eleiçons" iraquianas e do referendo da Constituiçom europeia estám decididos de antemao. Na antiga Mesopotámia, está prevista umha maciça abstençom e o triunfo da única opçom que permite o sistema: a vitória das candidaturas admitidas, os partidos colaboracionistas pró-ianques ou permissivos com a tirania do Pentágono; e na Galiza o Sim promovido polos partidos de direita e social-democratas, futebolistas, artistas e diversa farándula assídua de Crónicas Marcianas. Nom vai haver surpresa algumha. As opçons contrárias à posiçom imperialista, ou estám ilegalizadas e perseguidas, ou entom som censuradas e negadas. No Iraque, com Abraams, Humvees, Bradleys e Black Hawk, no nosso país com absurdas e ridículas manipulaçons e férreo controlo dos aparelhos de propaganda do regime, os meios de (des)informaçom.

Nestas duas consultas, procura-se maquilhar de democracia a brutal ocupaçom das potências ocidentais, com Estados Unidos à cabeça, e dar luz verde ao modelo de projecto europeu que necessita o neoliberalismo.

Mas se estas similitudes nom fossem suficientes à hora de mostrar as carências estruturais desse mito chamado "democracia", dessa falácia burguesa denominada "Estado de direito", como justificar de parámetros progressistas umhas eleiçons e um referendo constitucional carente de um processo constituinte e participativo?. Elaborado por comissons de notáveis e desenhado de Washington e Bruxelas polas burocracias e as castas políticas do complexo militar-industrial norte-americano, e das multinacionais e corporaçons franco-alemás, para facilitar o saque dos povos, a apropriaçom dos seus recursos e a sobre-exploraçom da classe trabalhadora e das mulheres.

As urnas, a "democracia" de Bush e Fraga, som um mero subterfúgio para legitimar umha tremenda pantomima, regada de sangue e horror no Iraque, de precariedade e manipulaçom na Galiza.

Rasgando o envólucro da propaganda mediática, as mentiras de sindicalistas corruptos, de jornalistas, desportistas, actores e músicos subsidiados e bem recompensados, de políticos ao serviço das suas contas bancárias, no Iraque e na Galiza pretendem impor a "democracia" de Guantánamo e Abu Ghraib, a do Banco Europeu e Wall Street, a tirania financiada pola Mc Donell Douglas, Chevron, Halliburton, Arbusto Energy, ou General Motors, a legalizaçom do espólio de petróleo e energia eléctrica, a estabilidade social de Amáncio Ortega e Tojeiro, a da miséria e os baixos salários, a "democracia" para as elites e as burocracias. Um sistema, em definitivo, em que a classe trabalhadora tam só é um imensa cifra estatística à qual reduzir direitos, liberdades e conquistas sociais; impor alienaçom, superstiçons e medos que facilitem mais reformas laborais, mais desprotecçom social e mais baixos salários. Um massa amorfa indefesa e inofensiva. Umha "democracia" onde os estados sejam desmantelados, passando a ser gabinetes regionais que representem os interesses da grande burguesia para fazer suculentos negócios.

Mas nom lho vamos pôr fácil. Existe um fio condutor na resposta popular a ambas realidades. A boicotagem activa que impulsiona a resistência armada, e o voto negativo que defende a esquerda anticapitalista na Galiza, som as duas formas de combate que adopta a luita internacional contra a besta insaciável do imperialismo que tam bem definiu Lenine. O resultado de ambos processos vai influir mutuamente, vai contribuir para reforçar a resistência contra o inimigo comum da humanidade.

Nom há espaço para posiçons intermédias, ou se condena e combate a ocupaçom colonial e se apoia as formas de luita que empregam as diversas expressons da resistência iraquiana, ou se está com a guerra global permanente de Bush e Blair; ou apostamos por um nom radical, sem matizes, por umha oposiçom nacional, de classe e feminista à Europa do Capital, os estados, o Patriarcado e a Guerra, ou entom seremos cúmplices desse modelo de Europa que Durão Barroso tam bem antecipou no Portugal dos últimos anos. Nom há mais alternativa que a derrota do imperialismo. O fracasso das expressons ianque e europeia será umna magnífica notícia para a classe trabalhadora, os povos e as mulheres. Mas, para caminhar nesta direcçom, temos de avançar na articulaçom dum espaço plural antissistémico entre todas as correntes, organizaçons e colectivos que nom claudicamos. O soberanismo socialista unido na Plataforma Galega polo Nom à Constituiçom Europeia e as Bases Democráticas Galegas som os primeiros passos para este objectivo irrenunciável e urgente. A esquerda independentista contribuirá com generosidade e lealdade para construir umha insubornável alternativa de luita à farsa eleitoral da democracia burguesa.


Galiza, 29 de Janeiro de 2005

 

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