Assessor da Cámara municipal de Ferrol reclama reposiçom de escudo franquista

14 de Janeiro de 2005

Juan Antonio Rodríguez-Villasante, que vem actuando nos últimos anos como assessor histórico da instituiçom municipal ferrolana, assina um relatório em que se reclama que o prédio do antigo Governo Militar, hoje propriedade de Caixa Galicia, recupere o escudo imperial espanhol instalado durante o franquismo.

Há três meses, a entidade financeira acometeu a retirada desse símbolo fascista da fachada principal do antigo Governo Militar, em Ferrol, aproveitando as obras de restauraçom do prédio. Agora, um membro do staff assessor do Governo municipal (formado polo Partido Popular e Independientes por Ferrol) reclama a recuperaçom do escudo embrulhando em argumentos pseudoartísticos a reaccionária defesa dos símbolos da ditadura franquista.

O elemento em questom é Juan Antonio Rodríguez-Villasante Prieto, cujo apelido duplo remete em Ferrol, como nom podia ser doutro jeito, para a casta militar espanhola. De facto, para além da sua condiçom de "historiador militar", Rodríguez-Villasante é também coronel de Intendência da Zona Marítima do Cantábrico na reserva. Porém, o seu currículo nom fica por aí. Fai parte do conselho de administraçom do Grupo Correo Gallego (jornal da extrema direita compostelana) e é membro do Comité Espanhol do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, da Real Academia de Belas Artes de Sam Fernando e da Real Academia Galega de Belas Artes Nossa Senhora do Rosário.

No relatório, dirigido à gerência de Caixa Galicia, apresentado por este "historiador", tenta-se escamotear a ideologia com referências históricas, artísticas e estéticas. Assim, afirma-se que o brasom "mostrava parte da história do prédio", em linha com os "argumentos" com que a direita localista costuma defender a permanência de estátuas e outros símbolos franquistas em Ferrol e comarca.

Porém, a ideologia filofascista do coronel nom pode ser ocultada e mais à frente chega a afirmar que "deve ser tido em conta também que, com este facto [a retirada do escudo] pode abrir-se umha indesejável polémica na cidade de Ferrol". Na realidade, é este elemento quem tenciona avivar a polémica pola retirada do escudo representativo do regime imposto após o golpe de Estado do exército a que ele próprio pertence.

Para além das consideraçons ideológicas, Rodríguez-Villasante manipula a história, umha vez que o prédio nom é originário da etapa franquista, mas do século XVIII, tendo sido o escudo imperial imposto polos fascistas espanhóis em substituiçom do escudo de armas originário. Daí que nem sequer do ponto de vista artístico se justifique a reposiçom da águia imperial espanhola.

Posteriormente à difusom do relatório, o militar ameaçou veladamente a Fundaçom Caixa Galicia ante a falta de resposta. "Nom sei se vam tomar acçom. Darei-lhes um tempo prudencial para que reajam e, se nom me responderem, levarei o assunto a outras instáncias", assegurou.

Nengum partido dos representados institucionalmente no concelho ferrolano interveu por enquanto, incluídos os que formam a equipa de governo (PP e IF), que mantenhem no cargo um "assessor" empenhado em defender a presença da simbologia fascista nos edifícios ferrolanos.

 

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Imagem da retirada do escudo que agora o coronel e assessor histórico da Cámara municipal de Ferrol pretende que seja resposto
Foto de arquivo do elemento em questom, pertencente à casta militar espanhola presente na cidade de Ferrol