NÓS-UP rechaça Dia das FFAA espanholas na Corunha

16 de Fevereiro de 2005

Logo a seguir do anúncio de que o Governo espanhol pretende comemorar o Dia das suas Forças Armadas na cidade galega da Corunha, NÓS-Unidade Popular emitiu um comunicado de rejeitamento que reproduzimos na íntegra.

"Ante o anúncio de que os actos centrais do Dia de las Fuerzas Armadas vam ter lugar na cidade da Corunha, a Direcçom Nacional de NÓS-UP manifesta o seu absoluto rejeitamento ao que se poderia qualificar como mais um acto de estridente propaganda militarista promovido polo ministro espanhol da Defesa, José Bono, e umha demonstraçom de força por parte do que hoje é o líder do ultra-espanholismo na Galiza, o mandatário municipal Francisco Vasques. É conhecida a total sintonia entre Vasques e o sector mais reaccionário do PSOE, liderado polo próprio Bono, Juan José Rodríguez Ibarra e Manuel Chaves; portanto, à parte da constáncia lógica de que escolher a Corunha como cenário da festa do exército espanhol nom é umha decisom aleatória, cabe-nos a razoável suspeita de que o próprio caudilho neo-fascista corunhês fosse quem, pola sua conta, se encarregasse de mexer os fios para que isto fosse assim.

O exército espanhol, e com ele todas as forças vivas do regime, nom venhem aqui mais que para insultar-nos e minar a nossa dignidade como povo. Ainda retumbam os ecos da clara proclama belicista de Bono, respostando aos deputados de Esquerra Republicana no Parlamento de Madrid, que pretendiam promover a derrogaçom do artigo VIII da Constituiçom Espanhola, a dizer que ele gostava de aquele artigo. O próximo passo e pôr em prática essa devoçom polo artigo VIII - o que autoriza o exército espanhol a intervir em qualquer território do Estado que pretendesse cindir-se - é este acto claramente intimidatório: o exército espanhol, esse que nos esmagará se tivermos nalgum momento a veleidade de escolher o nosso destino afastados do seu domínio; esse que colaborou com os crimes do império ianque no Iraque e Afeganistám; vai desfilar polas ruas corunhesas, e a poder ser banhado em massas e com as bençons das autoridades civis, militares e religiosas. Fam-no na Galiza, se calhar com a esperança de que nom haja resposta social à sua provocaçom ou de que fique imperceptível perante o praticamente unánime entusiasmo cidadao pola presença da espectacular maquinaria de guerra espanhola. O Governo espanhol sabe que isto em Euskal Herria é impossível de fazer e na Catalunya resultaria complicado. Resta entom fazê-lo aqui, e assim demonstrar que a Galiza é Espanha, que aqui se passeiam os estandartes espanhóis à vontade e que, aliás, o exército espanhol conta com aplauso d@s galeg@s.

Esta orgia de militarismo ressesso e nacionalismo espanhol exacervado, suporá ainda um golpe para a qualidade de vida da vizinhança, ao implicar um despregamento de força policial espectacular, que se fará omnipresente e que originará incidentes e atropelamentos contra os seus direitos.

NÓS-UP chama o povo corunhês, e em especial os seus sectores mais conscientes, a demonstrar que nesta cidade nom queremos passeios militares, com pendons e estandartes macabros a ondear no ar. O 28 de Maio, devemos sair à rua a demonstrar que nom vam ser aclamados servilmente, que também esse dia se lhes vai recordar quem som.

Galiza, 16 de Fevereiro de 2005"

 

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