Também Manuel Fraga reconhece retoricamente a unidade da nossa língua

23 de Abril de 2005

Essa é a conclusom que podemos tirar de umha afirmaçom contida na conferência de imprensa em que o ex-ministro franquista e actual presidente da Junta anunciou a convocatória de Eleiçons autonómicas, e cuja gravaçom se encontra disponível na web da Junta da Galiza.

No meio da intervençom da passada quinta-feira, após a última reuniom do Conselho da Junta, Fraga nom quijo deixar de corrigir o uso por umha jornalista do termo "América Latina", reivindicando, frente a esse, o conceito de "América Hispana". Tentando encaixar a realidade do continente no seu chauvinismo espanholista, Manuel Fraga afirmou que, além da insignificante excepçom do Haiti, o Brasil entraria também na herança cultural hispana "partindo da base de que o português, o galego e o brasileiro é todo a mesma cousa". Quer dizer, na concepçom de Fraga, o português fai parte da tradiçom espanhola através da existência do próprio galego, sendo a mesma língua histórica, no interior do Estado espanhol.

Nom é a primeira vez que Fraga fai declaraçons retóricas semelhantes, reconhecendo na pura teoria a unidade lingüística galego-luso-brasileira. No Portal Galegao da Língua lembra-se como já anos atrás chegou a declarar, em visita oficial a Moçambique, que "depois de todo, falamos a mesma língua". Nom é também Fraga o único personagem público que declara retoricamente umha evidência como essa. De facto, sempre houvo toda umha variada tradiçom intelectual, que abrange todo o leque ideológico e partidário galego, que parte desse princípio puramente teórico para, a seguir, renunciar ao que de positivo traria à Galiza a assunçom prática do reintegracionismo.

Se no caso de Fraga é evidente o seu desprezo a qualquer regeneraçom séria do padrom galego em termos de unidade lingüística, menos justificaçom achamos em que entidades e intelectuais autoidentificados como nacionalistas galegos reconheçam (no plano das ideias) a identidade lingüística galego-portuguesa, e fagam uso e abuso de um galego isolado e espanholizado como o que hoje promovem as instituiçons autonómicas.

No que a Fraga di respeito, é só a confiança que dá o "consenso" entre PP, PSOE e BNG neste tema que lhe permite dar-se ao luxo de reconhecer, sabendo que nom tem qualquer conseqüência, o carácter internacional da nossa língua.

 

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Fraga reintegracionista?