A simbologia fascista continua presente nos espaços públicos galegos, graças à cobertura institucional

23 de Março de 2005

Nos últimos dias, tem saído à tona da actualidade no Estado espanhol a polémica sobre a continuidade dos símbolos da sangrenta ditadura franquista nas ruas e prédios mais de um quartel de século depois da instauraçom de umha Constituiçom alegadamente "democrática".

Na realidade, a permanência desses símbolos fascistas simboliza, e nunca melhor dito, a continuidade do franquismo na restauraçom bourbónica que se seguiu à morte do ditador. Ninguém duvida que os monumentos e outras referências laudatórias a assassinos como Hitler, Salazar ou Mussolini fôrom banidos dos espaços públicos alemáns, portugueses e italianos. No entanto, também nisto, "Espanha é diferente".

Os media do sistema dedicam nestes dias espaço a retirada de alguns monumentos ao general Franco e ao líder fascista José António Primo de Rivera em praças de Madrid e Guadalajara, realizadas sempre com a escusa de algumha obra pública e na escuridade da noite, em lugar de convocando actos públicos de desagravo contra os assassinos de milhares de militantes de esquerda e dos movimentos de libertaçom nacional das naçons sem Estado da Penísula.

Especialmente reveladora está a ser nestes dias a atitude do Partido Popular, que fiel à sua contrastada defesa do franquismo, denuncia a supressom de monumentos à barbárie fascista e bloqueia a sua retirada lá onde tem poder para o fazer, como na Galiza sabemos bem.

Naturalmente, os juízes espanhóis nom estám a aplicar com o PP o mesmo rigor com que proíbem que dezenas de milhares de bascos e bascas podam ter representaçom democrática nas iminentes eleiçons bascas. Polos vistos, a defesa por activa e por passiva da ditadura genocida liderada por Franco, que tem levado repetidamente o PP a votar contra a condena da mesma no Parlamento espanhol e em numerosas cámaras municipais, nom é motivo para a ilegalizaçom do principal partido da extrema direita espanhola.

No que toca à Galiza, as nossas ruas, praças e prédios continuam inçados de placas, cruzes, estátuas, escudos e outros rastos em pedra e metal que mantenhem a agressom contra tantas famílias represaliadas polo fascismo espanhol. É o caso da estátua de Millán Astray na Corunha, da cruz em memória dos "caídos" na guerra espanhola, em referência aos integrantes do bando franquista, que preside a cêntrica praça de Amboage em Ferrol, ou o enorme escudo franquista na estaçom dos comboios de Compostela, por só citar três exemplos entre as dúzias possíveis.

A esquerda independentista galega tem denunciado nos últimos anos de maneira sistemática e efectiva essa provocaçom permanente. Lembremos a pintagem de cor de rosa do monumento eqüestre a Franco em Ferrol, a eliminaçom directa com ajuda de maças da estátua de Franco mais antiga do Estado espanhol em Narom, a retirada do "cabeçom" em Ponte Areas após umha intensa campanha popular e multitude de actos públicos de denúncia e acçom directa contra a presença do fascismo na nossa terra.

As instituiçons públicas continuam a dar cobertura aos símbolos fascistas na Galiza, e numeros@s activistas antifascistas tenhem sido multados e processados nos últimos anos por exigirem tam elementar medida de higiene democrática como a retirada de todos eles. De facto, membros da Plataforma pola retirada do monumento franquista em Ponte Areas enfrentam ainda um importante processo repressivo. Por sua vez, a esquerda independentista tem anunciado em diversas ocasions que o trabalho social contra os símbolos fascistas só concluirá quando forem definitiva e completamente banidos do nosso país.

 

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A estátua eqüestre de Franco foi retirada da Porta Nova de Ferrol após numerosas campanhas e acçons contra a sua presença lá. Presentemente, continua em pé em dependências militares da mesma cidade, "testamento político" incluído, graças à indolência das forças governantes no concelho na altura: BNG e PSOE
A esquerda independentista substituiu em ocasions a inexistente acçom institucional para fazer desaparecer símbolos fascistas da Galiza. Na imagem, militantes independentistas derrubam o mais antigo monumento a Franco, no concelho de Narom.