De Barcelona a Rianjo, sem perder Madrid de vista: a frente regionalista do BNG-PP

Apresentamos um artigo de opiniom em que Carlos Morais, secretário geral do nosso partido, analisa a conjuntura política das últimas semanas na Galiza, no que di respeito às estratégias pré-eleitorais das três principais organizaçons políticas sistémicas actuantes no País.

De Barcelona a Rianjo, sem perder Madrid de vista
A frente regionalista do BNG-PP

Carlos Morais (membro da Permanente Nacional de NÓS-Unidade Popular)

O BNG e Quintana, com a tutelagem da social-democrata UPG, já nom sabem que fazer para manter o nível de votos atingido nas autonómicas de 2001, e evitar o sorpasso do PSOE. Estám desesperados. Os seus cálculos, as suas previsons para as eleiçons deste ano inclinam-se face à mais que provável última vitória de Fraga. Quintana, portanto, tem como objectivos que o BNG continue a ser a segunda força eleitoral, consolidando a precária liderança, desfazer-se de Beiras, superar a profunda crise e divisom, dotando-se assim da suficiente legitimidade interna e externa para evitar seguir sendo o fraco referente transitório, o homem de palha colocado polos de Paco Rodrigues. Após a desapariçom do ex-ministro de Franco, com a conseguinte desintegraçom da direita espanhola na Galiza, será a oportunidade de ouro para que o de Alhariz opte com possibilidades à presidência da Junta. Ou seja, em 2009. Até aí, trata-se é de agüentar, de situar definitivamente o autonomismo na ambigüidade permamente desse espaço centrista característico das forças populistas. A Galiza empreendedora, a Galiza de futuro, a nova Galiza, a que apela Quintana nas repetitivas declaraçons carentes de qualquer conteúdos salvo o marqueting televisivo, na realidade significa umha calculada homologaçom com o PSOE-PP na política económica neoliberal e o abandono definitivo de qualquer reivindicaçom autodeterminista.

O BNG pactuou com Fraga um acordo institucional em plena ofensiva fascista aznariana. Posteriormente, a crise do Prestige congelou algumhas das expressons mais agudas da claudicaçom encenada em Novembro de 2001. Mas nom evitou que institucionalizasse e moderasse as reivindicaçons do amplo movimento de massas que sacudiu a estabilidade do PP, mantendo um autismo perante a Lei de partidos, a ilegalizaçom de forças políticas e sociais, o fechamento de meios de comunicaçom, o recorte das liberdades, a criminalizaçom do soberanismo socialista, a reforma laboral permante (nom esqueçamos que nom apoiou a greve geral de 2001), a apologia e recuperaçom da Espanha imperial, que impujo a frente espanholista nos últimos dous anos.

Todo isto permitiu que o BNG "lograsse" nom ver-se afectado pola era Aznar, atingindo neste período a desejada incorporaçom ao regime. Tanta obediência e submissom foi premiada com o reconhecimento de força leal a Espanha.

Mas a vitória de Zapatero e as previstas eleiçons autonómicas provocárom que o PPdG se visse forçado a modificar parte da estratégia desenhada. Cumpria abandonar o seguidismo mantido com o "governo amigo" e passar a reclamar o cumprimento do fantasmagórico e propagandista "Plano Galiza". Perante a reforma do Estado, aprofundar na reclamaçom do Estatuto que inclui a Administraçom Única, mas também alimentar o alarmismo frente ao inofensivo Plano Ibarretxe. Quer dizer, erosionar o PSOE mediante duas tácticas complementares, embora semelhem à simples vista antagónicas. Apoiar umha reforma constitucional e maiores competências para a CAG, defendendo simultaneamente a indivisível unidade espanhola.

Por sua vez, o oportunista BNG, coincidindo com a nova etapa aberta a 14 de Março, abandona a negativa a qualquer reformar estatutária, (até inícios do ano passado considerava-o desnecesário, pois havia que solicitar a plena transferência das competências pendentes), lançando a proposta de "Novo Estatuto para Galiza". A iniciativa nom passa de umha refundiçom das velhas propostas do "patriotismo constitucional galego", do "novo contrato com o Estado espanhol", do "Manifesto Bóveda", ou seja, mais do mesmo, procurar um novo encaixe da Galiza na Espanha da monarquia juancarlista, à medida das necessidades de expansom da pequena-burguesia autonomista. Contribuindo deste jeito a fortalecer o bloco espanholista, abandonando a reclamaçom e exercício do direito de autodeterminaçom. A maior novidade da proposta é que abandona o monolingüismo, umha das bandeiras irrenunciáveis de qualquer movimento que se defina como nacionalista.

Posteriormente, quando os fogos de artifício do "Novo Estatuto" estavam servindo para recuperar parte da iniciativa perdida frente às propostas do PSOE e do PP, a conjuntura política dificulta a consolidaçom. O BNG vê-se obrigado a apoiar o nom no referendo do tratado constitucional de Fevereiro, -dizendo-o à boca pequena e sem o menor convencimento ideológico-, mas forçado polas necessidades eleitorais de diferenciaçom de Tourinho e recuperaçom de parte do voto de esquerda. Umha aposta arriscada, mas imprescindível. Isto obriga a lançar umha nova e ridícula declaraçom, vazia de conteúdo, que permita emsombrar os acordos com o PNB, em plena criminalizaçom mediática e política após ter sido aprovado no Parlamento vascongado o Plano do lehendakari com o apoio de Batasuna. Ser aliado de Imaz e Arzallus já nom é incómodo, é contraproducente e negativo eleitoralmente. Por isso, que melhor ideia que abandonar Barcelona por Rianjo sem perder Madrid de vista?.

Para consolidar expectativas eleitorais e dissipar qualquer dúvida e/ou acusaçom de disparatadas involuçons "antissistémicas", a última iniciativa consiste em impulsionar umha frente galega para pressionar e negociar com Madrid o calendário e os conteúdos das obras sobre infraestruturas prometidas no "Plano Galiza" e atingir um consenso na reforma estatutária. Quer dizer, plena nomalidade democrática: os problemas da Galiza nom derivam da carência de soberania, da dependência de Espanha, do caos do capitalismo. Som solucionáveis mudando o instrumento jurídico-político que o justifica e perpetua, praticando tunning autonómico. Pedagogia política de massas: aliando-se com os responsáveis políticos pola exploraçom que a Galiza padece polo capitalismo espanhol é possível solucionar a grave situaçom do País e do seu povo trabalhador. Bingo!!. Tranquilizemos tendeiros, funcionários, comerciantes, pequenos empresários, profissionais liberais; mas também Fontenla e Amáncio Ortega, o grande capital que demanda contençom salarial, toneladas de cimento em macro-portos e auto-estradas para continuar "progressando", ou seja, amassando fortunas sobre a o sangue e o suor da classe obreira.

Porém, a secçom "regional" do PSOE, logicamente, opta por nom participar neste entruido. Perante o pacto à grega, Tourinho assume umha contundente oposiçom, preferindo exercer a representaçom do Governo ZP na Comunidade Autónoma. Há que evitar crispaçom, ele é o valedor, o único que pode desbloquear acordos, dinamizar projectos, ampliar fundos e "assegurar a modernizaçom da Galiza".

Esta manobra de confusionismo que assinarám na vindoura semana atinge o seu máximo grau com o apoio do sindicato do PP, -a corrupta e pactista CC.OO, a de Ence-, e a CIG vendida aos interesses de Tojeiro, pois a UGT coincide com o PSOE. Agora apenas lhes falta berrar Olé!!.

Tam só a esquerda independentista denuncia esta fraudulenta e vergonhosa frente regionalista. Com este cenário, nom há lugar a dúvidas, é mais necessário do que nunca a unidade de acçom de todas aquelas organizaçons políticas, sociais e sindicais, sob um projecto de mínimos alicerçado num programa nacional, feminista e de classe. Corresponde ao soberanismo socialista, o que se manifestou unido no Dia da Pátria sob a convocatória das Bases Democráticas Galegas, o que leva meses em campanha contra a Europa do Capital, os estados, o Patriarcado e a Guerra, -mediante a Plataforma Galega polo Nom à Constituiçom Europeia-, alargar e aprofundar este objectivo: criar um amplo e plural espaço autodeterminista, de denúncia e combate contra tanta mentira e falsidades. Umha aliança obreira e popular. Porque só exercendo a autodeterminaçom poderemos superar o atraso, e sentar as bases da emancipaçom. E isto só pode ser feito polas classes trabalhadoras, as verdadeiramente interessadas em construir Galiza. Cumpre pôr-se maos à obra.


Galiza, 12 de Janeiro de 2005

 

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