Importante sucesso do Foro Social Galego decorrido em Compostela

24 de Janeiro de 2005

Tal como anunciamos nas últimas semanas, nos passados dias 20, 21 e 22 de Janeiro realizou-se na capital da Galiza um dos eventos centrais da campanha que nos últimos meses desenvolve a Plataforma Galega polo NOM à Constituiçom Europeia. A aposta era forte, com activistas e especialistas, além de galegos, provenientes de países como Itália, Irám, Portugal ou o País Basco. Pretendia-se promover um amplo debate, e era importante a participaçom de numeroso público.

Os debates, desenvolvidos em sessons de manhá e tarde, tratárom em profundidade aspectos monográficos como os direitos democráticos, a política ambiental, os direitos das mulheres, a repressom, as línguas, o anti-imperialismo, o mundo do trabalho e o sujeito político na Constituiçom Europeia.

O cenário foi a sala de actos da Faculdade de Geografia e História da Universidade de Compostela, e a participaçom foi importante, com à volta das setecentas pessoas nos oito debates decorridos ao longo de três dias. Animados debates e análises a fundo sobre o verdadeiro significado do Tratado Constitucional que será votado a 20 de Fevereiro permitírom romper o cerco mediático que quer impedir que seja difundido o verdadeiro conteúdo que se esconde por trás das campanhas de grandes palavras com que o Estado espanhol financia umha das opçons teoricamente possíveis.

Se umha cousa está a ficar clara nesta campanha é que a defesa do NOM é só possível a partir da própria autoorganizaçom social da dissidência, como se demonstrou neste fim de semana em Compostela e está a demonstrar-se em diversos pontos da Galiza. A política institucional está a consistir em utilizar dinheiro público para fazer propaganda aberta do SIM, sem ceder um só espaço aos sectores opostos à Europa do capital e a guerra, dos estados e o racismo.

Na primeira jornada do Foro, Carlos Velasco, historiador integrante das Bases Democráticas Galegas, e o filósofo Fernando Pérez, analisárom como o projecto imperialista europeu fica afastado de qualquer avanço quanto a direitos democráticos, supondo um importante recuo em direitos cívicos que parte já da própria concepçom e elaboraçom do texto, além do carácter meramente consultivo da convocatória de referendo.

Militantes e especialistas do activismo ambientalista denunciárom na tarde da quinta-feira a orientaçom depredadora e contrária à defesa do meio natural do modelo capitalista que inspira a letra do Tratado Constitucional. Participárom no debate representantes de ADEGA, ERVA e o economista Xavier Simon.

Já na sexta-feira, Carme Adán, Paula Rios e Isaura Barciela, feministas da Aula Castelao de Filosofia, da Marcha Mundial das Mulheres e do Colectivo de Mulheres Transgredindo, figérom o seu contributo à análise do texto constitucional de parámetros de género. As três mulheres concordárom no carácter profundamente patriarcal da proposta que irá ser votada no mês próximo, com a defesa do modelo tradicional de família como exemplo significativo.

O escritor Anxo Angueira, Carme Hermida e Maurício Castro, moderad@s por Antón Dobao, ocupárom-se, também na manhá da sexta-feira, da denúncia do estatalismo da UE, que deixa fora dúzias de comunidades lingüísticas e reconhece só às línguas estatais a existência na Europa imperialista que as oligarquias pretendem impor.

A Europa repressiva, altamente restrita quanto aos direitos fundamentais, foi o tema desenvolvido por Fran del Buey, de PRES.O.S, e os advogados Gustavo Garcia e Jesus Sanjoás. A seguir, na mesma tarde da sexta, Nicolás González e Carlos Taibo analisárom a agressiva política internacional que prevê a UE desenhada polo texto constitucional, incluída a promoçom do armamentismo e de forças armadas próprias num claro espírito intervencionista.

Na última jornada, representantes sindicais da CIG, CUT, CDIL e o director da revista comunista portuguesa Política Operária, Francisco Martins, debatêrom o significado que a Constituiçom irá ter para os direitos da classe trabalhadora, tendo em conta a consagraçom do mais puro e selvagem neoliberalismo que a inspira.

O último debate foi dedicado ao "sujeito político da Constituiçom Europeia", com participaçom de um representante abertzale basco, um parlamentar da esquerda revolucionária no Partido Verde italiano, o filósofo Domingos Antom Garcia e o escritor Xosé Luís Méndez Ferrín.

Lembremos que a Plataforma Galega polo NOM à Constituiçom Europeia foi a única entidade que no nosso país promoveu um foro aberto destas características, para além do puro partidismo que está a animar a morna oposiçom doutros sectores favoráveis ao NOM no referendo de Fevereiro. Esta circunstáncia dá mais valor ao sucesso atingido com estas jornadas de debate e denúncia da Europa dos mercadores e de reivindicaçom da Europa dos povos.

 

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Imagem do debate sobre liberdades e repressom na Constituiçom Europeia
Carlos Velasco e Fernando Pérez, moderados por Bráulio Amaro, no debate sobre "Constituiçom Europeia e Democracia"
"A Europa "Verde" do Capital" foi o tema de debate em que participárom representantes ecologistas e o economista Xavier Simon
Vista parcial da sala durante a mesa redonda dedicada às "Línguas na Constituiçom Europeia"
Na manhá da sexta-feira foi analisada a Constituiçom Europeia com umha perspectiva feminista