O PP mantém o rumo da Galiza em direcçom ao colapso ambiental

13 de Dezembro de 2004

A polémica levantada pola possível aplicaçom dos critérios do Protocolo de Kyoto quanto a reduçom de emissons de CO2 na Galiza, fijo cair as máscaras "verdes" de instituiçons e partidos no nosso País.

O conselheiro do Ambiente da Junta da Galiza, José Manuel Barreiro (Partido Popular), reclamou já um incremento da quota de emissom do gás contaminante por excelência para a Comunidade Autónoma da Galiza. Também os meios de comunicaçom denunciam agora o "castigo às velhas centrais de carvom galegas" (responsáveis por 60% do CO2 emitido na Galiza), reivindicando os supostos "direitos de contaminaçom" da Galiza.

Para além do dito, o próprio conselheiro do PP, em nome do departamento teoricamente encarregado da protecçom do Meio Ambiente galego, defendeu nom só a continuidade das emissons nas centrais térmicas, como também o sistema actual de tratamento de lixo, gerido por SOGAMA e baseado na incineraçom. Um sistema que, de resto, conta também com o apoio dos restantes partidos, nomeadamente BNG e PSOE, que o aplicam na maior parte de concelhos que governam. A alternativa da reduçom e a reciclagem continua totalmente marginalizada.

Os promotores políticos da conversom da nossa naçom em enclave de indústrias poluentes e insalubres como as centrais térmicas de Meirama e as Pontes, a refinaria da Corunha ou a celulose de Ponte Vedra, bem como de um modelo florestal irracional e destruidor da riqueza ambiental, produtiva e paisagística do monte galego, armam-se agora em defensores do "direito à contaminaçom" ante a tímida aplicaçom de umha simples reduçom das emissons que mais contribuem para o incremento do efeito estufa e portanto da mudança climática no Planeta.

Nom só o PP, mas também os restantes partidos, em funçom de interesses localistas e de um populismo imediatista, reclamam o pam para hoje e a fame para amanhá em lugar de fazerem umha crítica a fundo do desastroso modelo de desenvolvimento actual.

Mas, na realidade, nem do ponto de vista puramente económico se sustenta umha configuraçom do panorama energético em que quase metade da energia eléctrica produzida pola Galiza é exportada para Espanha e os lucros pertencem a multinacionais espanholas como Endesa (As Pontes) ou Unión Fenosa (Meirama). Para a nossa naçom ficam apenas todos os prejuízos causados por décadas de poluiçom e destruiçom do território, como pode comprovar-se numha visita à envolvente da vila pontesa em que se situa um dos maiores centros emissores de CO2 da Europa ocidental.

Simultaneamente, megaprojectos denunciados desde o início pola esquerda independentista polo seu carácter depredador de umha zona de grande valor paisagístico e por representar mais um ataque a umha das rias mais degradadas, como é o porto exterior de Ferrol, ficam agora em evidência como desnecessários de serem aplicados os critérios estabelecidos em Kyoto. Com efeito, o tránsito marítimo de carvom com destino às Pontes ficaria paralisado, sendo esse carvom o principal motivo aduzido para a construçom do megaporto na entrada da Ria. Porém, o irreparável dano à comarca trasanquesa já está feito, com o apoio de todos os partidos representados na Cámara municipal de Ferrol: PP, IF, BNG, PSOE e IU, e a oposiçom de NÓS-Unidade Popular e as entidades ecologistas.

Entretanto, as novas propostas energéticas em andamento, como a proliferaçom de parques eólicos, para além dos excessos quanto a distribuiçom e cuidado na alteraçom da paisagem, voltam mais umha vez a pertencer a empresas estrangeiras, que som as únicas beneficiárias económicas do chamado "ciclo do vento", alheio ao controlo público e até privado galego. Quanto ao gás natural, a outra alternativa apresentada polas instituiçons com o apoio de todas as forças políticas do sistema, representa também umha via limitada e dependente da exploraçom de recursos do chamado Terceiro Mundo, além de supor, no caso da planta regasificadora que está a ser instalada -de novo- na Ria de Ferrol, umha gravíssima ameaça à segurança de dezenas de milhares de pessoas.

Para além da esquerda independentista, unicamente organizaçons ambientalistas como ADEGA tenhem apoiado a necessidade de reduzir drasticamente as emissons poluentes de CO2 de origem industrial e nos transportes, mediante umha mudança de fundo no modelo de desenvolvimento económico, social e ambiental.

Mais umha vez, nesta altura em que uns e outros proponhem parches para continuar com um modelo de desenvolvimento linear, desordenado e alheio à construçom da Galiza como naçom e aos verdadeiros interesses das nossas classes populares, a esquerda independentista deve dizer alto e claro que é necessário um outro modelo sócio-económico, socialista e ambientalmente viável. Cada vez é mais claro que o capitalismo nos conduz para o desastre, para o colapso ambiental de maneira irremissível, e o recurso ao populismo e aos localismos incitados polo PP e também polos restantes partidos do sistema só ocultam, mas nom evitam, essa realidade.

 

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Paisagem de eucaliptos na envolvente geográfica da central térmica de Meirama