BNG, CiU e PNB teimam em reformar Espanha em lugar de construir as respectivas naçons

4 de Dezembro de 2004

Umha frase, literalmente tirada do próprio texto, resume o novo documento assinado polas representaçons das burguesias autonomistas catalá e basca, juntamente com o BNG: "Umha outra Espanha é possível". Esta nova declaraçom, chamada "Galeuscat", foi apresentada por PNB, CiU e BNG na capital de Espanha, quadro institucional de referência para as três formaçons. Com efeito, confundindo os respectivos projectos políticos com as naçons de origem, o documento chega a afirmar de maneira explícita que "as naçons históricas oferecem umha grande oportunidade para demonstrar que outra Espanha é possível".

A iniciativa vai dirigida, em palavras do porta-voz do BNG, Anxo Quintana, em forma de "mensagem de ilusom", "aos cidadaos de cada umha das três naçons e do conjunto do Estado". A mensagem, na verdade, é que o PNB, CiU e BNG nom tenhem avondo com trabalhar com os respectivos países como espaço de construçom nacional e referente político, exercendo mais umha vez umha indolente dependência simbólica a respeito da capital dessa Espanha que ainda aspiram a reformar. Daí que escolham Madrid para se reunirem e situem "o conjunto do Estado" como destinatário das suas propostas.

Porém, sem absolutamente nengum apoio entre as forças políticas institucionais de ámbito estatal presentes no Congresso espanhol, as principais forças autonomistas do País Basco, Catalunha e Galiza proponhem "um projecto para construir realmente um Estado plurinacional moderno e respeitoso com as realidades nacionais e históricas que o componhem". As suas "boas palavras" batem com a realidade de nom contarem com um só aderente entre os partidos de ámbito espanhol com representaçom institucional.

Para além de toda a palavrada "pluralista" que enche de palha o documento, o seu significado do mesmo está mais no que omite do que nos tópicos que repete. Assim, o manifesto assinado por Quintana, Imaz e Mas nom contém nem umha só palavra dedicada a afirmar a soberania nacional da Galiza e das outras naçons submetidas a soberania estrangeira. Ao contrário, todo o documento gira à volta da procura de nom se sabe que "acordo de Estado", chegando a situar como objectivo dos nacionalismos galego, basco e catalám a "coesom e integraçom social de cara ao logro de um convívio positivo e criativo das diferentes identidades e sentimentos nacionais", referindo-se naturalmente ao ámbito espanhol como quadro referencial da citada "coesom".

Nem umha palavra tampouco para situar a vontade dos povos galego, basco e catalám por cima de quadros constitucionais que lhes som alheios, nem portanto para abrir a possibilidade de que os nossos povos podam decidir nom continuar a fazer parte do Estado espanhol. Dá-se por inevitável, ou mesmo conveniente, essa pertença, e a partir daí teima-se em reformar um aparelho estatal cuja reforma fica muito longe de qualquer possibilidade realista de influência por parte das minorias basca, galega e catalá como parte desses quarenta milhons contabilizados como "espanhóis" polo quadro jurídico actual.

Nem umha palavra, finalmente, para lembrar que aqui, nesta Península em que se localizam as nossa naçons, há mais umha naçom, Portugal, com especial significaçom para a Galiza. A proposta "pluralista" assumida polo BNG esquece qualquer referência a umha reconfiguraçom do espaço ibérico que tenha em conta a existência de Portugal, como naçom mais próxima da nossa e contrapeso face ao hegemonismo espanhol.

A declaraçom inclui, isso sim, um apoio explícito às reformas estatutárias na Galiza, Catalunha e País Basco, reconhecendo portanto mais umha vez a soberania espanhola sobre as três naçons, tal e como estabelece a ilegítima Constituiçom de 1978.

 

Voltar à página principal