Também o BNG participa no coro de carpideiras por Woitila

8 de Abril de 2005

A abafante campanha de imagem gratuita em favor da Igreja católica orquestrada por instituiçons públicas e empresas de comunicaçom privadas com motivo da morte de um dos papas mais reaccionários do último século, tivo também a sua versom "autonómica" na Galiza.

O máximo representante do Vaticano na Galiza, o espanhol Julián Barrio, presidiu o funeral central na catedral de Compostela, com presença de Manuel Fraga, Jesus Palmou, José Sánchez Bugalho, Pérez Tourinho e outros muitos representantes de partidos, instituiçons e outras "forças vivas" da oficialidade empoleirada aos mais diversos postos de poder autonómico. Entre o numeroso coro de carpideiras e carpideiros, nom faltou o porta-voz do BNG, Anxo Quintana, que nom quijo perder a ocasiom de sair na televisom e gozar assim dos segundos de glória correspondentes na orgia mediática e de audiências que se vive na última semana com motivo da morte de Karol Woitila.

Respeitando nom só a hierarquia eclesiástica como também a estrutura institucional imposta polo Estado espanhol à Galiza, o BNG esqueceu por igual os seus supostos laicismo e nacionalismo para dirigir nestes dias um comunicado em que manifesta "o seu pesar perante a morte de Joám Paulo II" à Conferência Episcopal espanhola. Lembrando-se, isso sim, também da "comunidade católica galega", nem o BNG nem nengumha outra força da "esquerda" do sistema se lembrárom de manifestar o seu "pesar" pola tortura mediática que temos sofrido os galegos e galegas que nom participamos da farsa católica e a ideologia reaccionária que nos bombardeia incessantemente a partir dos púlpitos televisivos e jornalísticos.

O BNG deixa de parte o apoio dado por Woitila a ditaduras como a chilena ou a argentina, bem como aos golpistas da oposiçom burguesa venezuelana, para valorizar no seu comunicado "especialmente o contributo do Papa contra a guerra e em prol da legalidade internacional para a resoluçom dos conflitos", manifestando o seu convencimento de que com o novo papa a Igreja católica abrirá umha nova etapa "o mais positiva possível para o conjunto da Humanidade".

Assim, Quintana e o BNG apresentam o seu particular contributo para o unánime coro de reaccionários que nos martelam incessantemente nos últimos dias com mentiras, meias verdades, omissons e outras tergiversaçons à volta da figura de um dos papas mais inimigos do progresso social, a justiça e a igualdade entre os povos e as pessoas durante o último século.

Só nos resta saber se as mulheres e outros sectores abertamente discriminados pola Igreja de Woitila, que integram também o BNG, concordam com as palavras dedicadas polo Bloque ao máximo representante do integrismo católico mundial durante os últimos vinte e cinco anos. De facto, a gravidade da posiçom do BNG neste tema é que ajuda de maneira determinante a fazer passar por unánime umha interpretaçom distorcida e reaccionária de um papado que, socialmente, nom representou nengum consenso.

De resto, a anomalia democrática da unanimidade dos partidos na Galiza vê-se logo que contrastada com a realidade de países próximos como Portugal ou França, onde inclusive forças de esquerda parlamentar criticárom o papado de Woitila e os lutos oficiais decretados por governos de estados alegadamente laicos.

Na Galiza, a unanimidade das forças "de ordem" em torno da figura de Woitila confirma a baixa qualidade democrática de um sistema que, autointitulado de "aconfissional", nom duvidou em decretar luto oficial pola morte de um líder religioso que combateu quanto pudo o laicismo e a liberdade de acçom e pensamento, amigo declarado de ditadores e promotor de seitas perigosas como a poderosa Opus Dei.

Mais umha vez, só a esquerda independentista, através de NÓS-Unidade Popular, se desmarcou do coro de carpideiras. Pode-se ler a posiçom de NÓS-UP sobre o tema no seu web nacional.

 

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O BNG está a contribuir de maneira determinante para a difusom de umha imagem idílica de consenso em torno da figura de Woitila, que de maneira nengumha corresponde com a realidade social galega