Bourbon e ministro da Defesa espanhol reclamam "mais espanha"

6 de Janeiro de 2005

Dentro da ofensiva política e mediática que os aparelhos do Estado espanhol dirigem nos últimos tempos a reforçar o ameaçado projecto nacional espanhol, o chefe do Estado, Juan Carlos de Bourbon, e o ministro da Defesa, José Bono, aproveitárom a comemoraçom da Páscoa Militar no Palácio Real de Madrid para reafirmarem o discurso imperialista frente aos movimentos de libertaçom nacional.

Assim, Juan Carlos I apelou ante a cúpula militar para que o presidente do Governo "preserve o espírito integrador da Constituiçom", "respeitando-a plenamente". Autopublicitando o regime que lidera, o chefe do Estado afirmou que à Constituiçom espanhola de 1978 "devemos muitos anos de harmónico convívio, invejável modernizaçom e avançada articulaçom territorial". Imaginamos que para o monarca hispano a própria imposiçom da Coroa por Franco representa umha prova dessa "invejável modernizaçom" a que se referiu, e a imposiçom do idioma espanhol aos povos umha mostra do "harmónico convívio".

Quanto ao ministro do Interior, o ultra católico e esquerdista arrependido José Bono, nom perdeu a ocasiom para reclamar explícita e veementemente "mais espanha", agradecendo a "hospitalidade e esforço da família militar" na organizaçom do acto.

Bono dedicou também o seu discurso a fixar balizas ante o debate de reformas estatutárias, ao afirmar que «nengum território poderá ter projectos que rompam a vontade soberana dos espanhóis», já que o que conta em opiniom dele é «a Espanha da Constituiçom, donde emana a legitimidade de todas as instituiçons», em referência às comunidades autónomas.

Como argumento para legitimar a autoridade uniformizadora espanhola, fantaseou ao «recordar que Espanha é umha das naçons mais antigas do planeta», num exercício de afirmaçom etnicista e historicista, além de evidente falsificaçom histórica.

Para além do folclore e mitologia ideológica que costuma envolver as afirmaçons patrioteiras de elementos como os que comentamos, o acto institucional de Madrid esclareceu mais umha vez a radical inviabilidade de reformas constitucionais que visem a reestruturaçom do Estado espanhol sobre bases igualitaristas no plano nacional.

Umha vez que o aparelho institucional e repressivo espanhol nega através dos seus máximos representantes os direitos nacionais de naçons como a Galiza, só a nossa negaçom da legitimidade da Constituiçom de 78 nos nossos territórios e a afirmaçom irrestrita dos direitos nacionais da Galiza é que nos permitirá avançar na construçom nacional do nosso povo, rompendo de vez com o imperialismo espanhol.

 

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