PSOE: outro "talante" para o mesmo chauvinismo espanhol

8 de Dezembro de 2004

Membros significados do Governo espanhol do PSOE exibem nos últimos dias o discurso chauvinista que caracteriza esse partido como a força espanholista que realmente é, por mais que pretenda também mostrar-se como "rosto amável" de Espanha frente ao extremismo doutrinal do Partido Popular.

Em concreto, foi o próprio presidente espanhol, Rodríguez Zapatero, quem esclareceu a dimensom que o seu Governo outorga aos nacionalismos periféricos com quem pactua em funçom da maioria só relativa que o PSOE detém na presente legislatura: "Os nacionalismos som pingos de água num grande oceano, a cultura espanhola, o espanhol".

Toda umha declaraçom de princípios quanto ao modelo de "Espanha plural" que di defender à frente do Governo. Inchando o peito, Zapatero afirmou que "a força do espanhol é enorme", e "tem a virtualidade de comparecer no mundo acompanhada de outras línguas que estám também no espanhol, que podem crescer, manter-se e existir e enriquecer o que eu entendo como "o espanhol".

Foi durante a comemoraçom do IV Centenário da publicaçom da primeira ediçom do Quixote que Zapatero mantivo esse discurso rançoso e paternalista, assegurando que "a força do espanhol é enorme". O seu discurso andou próximo do racismo ao pretender expansionar esse mundo espanhol que, segundo dixo, situa os espanhóis "ao pé dos grandes países do mundo, e o mundo crescerá mais se pensar mais em espanhol".

Por sua vez, o ministro espanhol da Defesa, José Bono, aproveitou os actos de celebraçom da Conceiçom, padroeira da Infantaria do exército desse país, para reafirmar que "Espanha é a pátria comum e indivisível de todos os espanhóis", em referência ao papel que reserva aos povos submetidos à soberania espanhola e citando a antidemocrática constituiçom de 1978.

Pondo em questom qualquer reforma que poda ser interpretada como cessom às burguesias autonomistas periféricas, Bono espetou que "hoje nom cabe mais do que cabe na Constituiçom". Segundo o católico, chauvinista e marxista arrependido que hoje exerce de ministro da Defesa no Estado espanhol, termos como "naçom" ou "pátria" tenhem apenas legitimidade quando ressoam em bocas como a dele, umha vez que o nacionalismo espanhol "antepom os direitos das pessoas aos dos territórios" e as "identidades de projecto às identidades de sangue".

Esquece Bono como o projecto nacional espanhol foi e continua a ser construído sobre a negaçom e repressom de identidades nacionais como a galega, que ainda hoje subsistem, e que longe de alicerçar os nossos projectos nacionais em "sangue", temos é pago com sangue a imposiçom da soberania espanhola sobre a dos nossos povos. Também esquece as disputas territoriais que ainda hoje mantém esse nacionalismo espanhol que ele representa contra a vontade das pessoas em lugares como Gibraltar.

Lembremos ainda como há poucos dias atrás o próprio Bono afirmou "gostar muito" da norma que permite a actuaçom directa do exército espanhol contra os povos que optarem pola secessom no actual Estado espanhol. Toda umha mostra de preferência polos "direitos das pessoas sobre os dos territórios"...

Entretanto, as principais forças autonomistas, esses "pingos de água num grande oceano" a que se refere Zapatero (BNG, CiU, PNB...), continuam a reclamar umha impossível reforma institucional, esperando que, por algum milagre, o espanholismo (versom PSOE e versom PP) reconheça a existência de naçons como a Galiza, sem reconhecer, isso sim, que a soberania nacional corresponde só aos nossos povos. Esquecendo, portanto, o direito de autodeterminaçom.

 

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