Direita espanhola inicia assalto especulador contra o bairro ferrolano de Recimil

10 de Abril de 2005

O último obstáculo para a aplicaçom da estratégia especuladora preparada polo Partido Popular e Independientes por Ferrol à frente do Governo municipal foi superado. A Direcçom Geral do Património da Junta da Galiza, também em maos do PP, aprovou a derrogaçom do estatuto de espaço urbano protegido que gozava o bairro ferrolano de Recimil, o que permitirá a sua demoliçom e substituiçom por 2.000 vivendas de luxo, o que dará importantes lucros às construturas que se vejam favorecidas polas concessons do PP e IF. A "operaçom Recimil" é só umha entre as muitas operaçons de especulaçom urbanística previstas pola direita espanhola governante em Ferrol para os próximos anos.

Construído nos anos 40, o bairro ferrolano de Recimil, com umha localizaçom privilegiada, é de titularidade pública, e contava com um estatuto de protecçom urbanística desde 1995, em funçom do seu valor arquitectónico. Casas de baixa altura, urbanisticamente bem ordenadas e com espaços verdes e arvorados configuram um bairro necessitado de um plano integral de recuperaçom após décadas de abandono por parte da mesma administraçom que agora quer malbaratá-lo para encher o caço de um reduzido grupo de dirigentes políticos e empresariais sem escrúpulos.

Os líderes locais do PP e IF, com o presidente da Cámara, Juan Juncal, e o vice-presidente, Juan Fernández, à cabeça, levavam anos com o olhar e as piores intençons postas no bairro popular de Recimil, enfrentando a oposiçom da vizinhança, que exigia a reabilitaçom dos blocos de habitaçom, mas rejeitava a demoliçom proposta pola direita. Finalmente, Ángel Sicart, director geral do Património da Junta, assinou a ordem de desprotecçom do bairro, eliminando-o do Inventário Geral do Patrimonio Cultural e abrindo a porta para que as construtoras amigas do PP e IF podam acometer umha megaoperaçom urbanística que eliminará um dos bairros urbanisticamente mais ordenados e humanizados de Ferrol, para levantar no seu lugar grandes prédios de apartamentos que gerarám uns lucros incalculáveis aos seus promotores e padrinhos políticos.

O bairro de Recimil, conhecido em Ferrol polo nome de Casas Baratas, é defendido por prestigios@s arquitect@s como modelo urbanístico, salientando igualmente a robusteza das construçons, e lembrando que em países como a Alemanha bairros similares se vem valorizados, após a pertinente reabilitaçom, como zonas privilegiadas das cidades em que se encontram. Também outros sectores, incluída a esquerda independentista através de NÓS-Unidade Popular, tenhem manifestado o seu apoio à reabilitaçom do bairro, garantindo a permanência da actual vizinhança e rejeitando qualquer tentativa de demoliçom e subseqüente especulaçom como a que agora se pretende acometer.

Em lugar disso, o caciquismo espanholista empoleirado às instituiçons galegas (Junta e Cámara municipal de Ferrol) opta pola destruiçom do bairro para encher os bolsos dos burgueses aspirantes a espanhóis que gerem os destinos da nossa Pátria, Ferrol incluído.

O responsável do Urbanismo no Governo municipal ferrolano, Francisco Pita-Romero, de IF, mostrou já a sua satisfaçom pola desprotecçom ordenada pola Junta, lembrando que nom só esse bairro popular se verá atingido pola política urbanística privatizadora e especuladora do seu governo. A Porta Nova, a área do que fora quartel Sánchez Aguilera, a praça do Inferninho e a própria praça do Concelho fam parte de umha vasta estratégia urbanística que enriquecerá ainda mais a burguesia ferrolana e prejudicará a maioria social, incrementando a desumanizaçom da cidade, que conta com cada vez menos espaços verdes e mais precários equipamentos de serviço público como instalaçons desportivas, praças, etc.

Em Cangas, a oposiçom popular derrota PGOM da direita

Entretanto, noutro ponto do País, na comarca do Morraço, a massiva oposiçom vicinal aos planos especuladores do Partido Popular e as construtoras deu o seu fruto. A direita espanhola governante em Cangas tivo que retirar o seu plano urbanístico ante a pressom popular, com 8.000 vizinhos e vizinhas no passado domingo a tomar as ruas numha das maiores manifestaçons na vila do Sul. A sala de plenos foi ocupada por centenas de pessoas na sessom em que o PP finalmente retirou um Plano Geral de Ordenaçom Municipal imposto e à medida das grandes promotoras urbanísticas da comarca.

O do Morraço constitui um exemplo de qual é a via para defender com efectividade os direitos das classes populares galegas, se bem que a permanência dos mesmos de sempre no poder obrigue a manter a guarda em alto ante mais do que prováveis novas ofensivas reaccionárias.


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Vista aérea do bairro ferrolano de Recimil, que irá ser demolido numha megaoperaçom urbanística ao serviço do PP, IF e as construtoras amigas