Menos de 25% de galeg@s com direito ao voto apoiárom a Constituiçom Europeia

21 de Fevereiro de 2005

O referendo consultivo promovido polo Estado espanhol, em que os dous partidos maioritários, as duas principais centrais sindicais, o patronato, a totalidade de meios de comunicaçom e a propaganda institucional pedírom abertamente o SIM, acabou por evidenciar um amplo afastamento da maioria social a respeito do Tratado e da propaganda oficial.

Mais de 75% dos galegos e galegas com direito ao voto nom votárom SIM. Em concreto, 56% abstivo-se, 12,21% votou NOM e 6,49 votou em branco. Ao todo, um milhom e meio de galegos e galegas, face a 800.811 (menos de 25%) que votárom SIM. Contodo, é claro que, como já sabíamos previamente, o Tratado irá igualmente avante, como já confirmárom os representantes do PSOE e do PP.

Frente às interpretaçons interesseiras dos media e os grandes partidos, a nós interessa-nos notar que os resultados de ontem confirmam a grande distáncia existente entre as instituiçons capitalistas europeias que estám a impor umha UE contrária aos interesses e participaçom da maioria, e os próprios povos. O Estado espanhol foi o primeiro a convocar um referendo e nele o conjunto de povos que fazemos parte dessa estrutura política chamada "Reino de Espanha" ratificamos umha clara falta de identificaçom maioritária com a Uniom Europeia dos estados, o capital e a guerra.

Porém, nom podemos desconsiderar a distáncia existente entre os resultados galegos e os de outros povos sem Estado como o País Basco ou os Países Cataláns. A Galiza ficou muito por baixo no nível médio de rejeitamento explícito e consciente a umha Constituiçom Europeia que nos nega como povo, o qual confirma a fraqueza das posiçons nacionais e de classe na nossa naçom. Os partidos espanhóis mantenhem um importante nível de influência na Galiza, por mais que, além do NOM, também o SIM tenha sido minoritário.

A adesom timorata, confusa e serôdia do BNG à campanha polo NOM, além da divisom interna que transmitiu, devem ter influído nos pobres resultados do NOM face à média estatal e, sobretodo, face à média catalá e basca. O BNG nom conseguiu aglutinar nem a sua massa de votantes atrás de um NOM tam matizado e acomplexado que nem convencia a própria militáncia.

As carências e partidismos da contraditória campanha do BNG evitou que existisse umha plataforma social unitária como as constituídas noutras naçons e zonas do Estado espanhol, sementando a divisom face à unidade dos do SIM. Mas é claro que, por outra parte, o movimento soberanista e socialista galego é ainda um projecto fraco, em formaçom, que nom atingiu a unidade, coerência e implantaçom necessárias como movimento para a socializaçom efectiva do seu programa, único que garante o futuro da Galiza sob a hegemonia das classes populares. O grande trabalho desenvolvido pola Plataforma Galega polo NOM contribuiu para esses 12,21% de NONS, mas a falta de meios e o boicote institucional e mediático evitou chegar a importantes fatias sociais potencialmente proclives ao NOM, e que em funçom disso ficárom pola abstençom ou o voto branco.

De qualquer maneira, o referendo do dia 20 mostra que existem sectores importantes na Galiza que nom seguem cegamente os slogans do sistema e que, em simultáneo, há muito trabalho social e político a fazer para dar corpo e coerêrencia à resposta popular ao capitalismo espanhol e europeu.


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