AGIR posiciona-se frente ao novo Plano de Financiamento do Sistema Universitário da Galiza

13 de Dezembro de 2004
A organizaçom estudantil da esquerda independentista, AGIR, difundiu a análise e posiçom que mantém ante o novo Plano de Financiamento do Sistema Universitário da Galiza (SUG). Reproduzimos a seguir, na íntegra, o conteúdo do texto feito público por AGIR através do seu web nacional.
AGIR ante o novo Plano de Financiamento do SUG
O estudantado galego pode fazer-se à ideia do nível económico com que subsistem as nossas universidades olhando para os dados que sem vergonha nengumha nos vem de oferecer a Junta da Galiza. Dadas as exigências da comunidade universitária, Fraga e companha dérom em aceder a realizar umha injecçom orçamentária no Plano de Financiamento do Sistema Universitário da Galiza (SUG), que se corresponde, em cifras porcentuais, com um aumento num 105% em investimento por alun@ para o curso económico 2005-2010. Os números cantam por si próprios: as tímidas queixas recebidas desde as reitorias figérom com que se duplicasse o pagamento do executivo galego às arcas universitárias, passando-se de 3.364 euros anuais por cabeça estudantil, a 6.800. Semelhante destreça administrativa poderia calar os protestos incessantes com que o estudantado da esquerda independentista vem envolvendo a sua campanha contra a política financeira das três universidades públicas galegas. No entanto, esta realidade numérica que salientamos nom fai mais do que certificar os nossos postulados. Lembremos que a análise crítica com o projecto da Junta nom deve ficar num mero reconhecimento dos novos orçamentos, nem também nom num superficial aceno de abraio ou aprovaçom aos mesmos, anunciados para o vindouro período do Plano de Financiamento do SUG, que se corresponde com o lustro 2005-2010, senom numha advertência dos raquíticos investimentos com que sempre se alimentou o funcionamento do sistema universitário: nom é bom o que se oferta agora, mas muito mau o que se tinha antes.
Sendo assim, reiteramos que o horizonte do 2010 supom o encontro com o Espaço
Europeu de Ensino Superior (EEES), e que a rechamante oferta de convergência
económica é um artifício com que se pretende dar o assunto
por fechado. A Junta reconhece, visto o acréscimo investidor, que muito
há que melhorar o ensino superior na Galiza para equiparar-se ao meio
europeu. Esta obviedade, aceitada pola própria instituiçom governamental,
deveria supor o imediato suicídio político de quem por enquanto
tenhem sido responsáveis de educaçom num país no que
nem tam sequer umha duplicaçom dos orçamentos permitirá
situar o ensino superior galego à altura do nosso contorno geográfico.
Por outra banda, e debruçando-nos sobre os dados dum jeito analítico
e objectivo, a percentagem do PIB destinado ao alunado universitário
nom chegará ao 1%, mantendo-nos na posiçom, de duvidosa honra,
de sermos um dos países em que o ensino tem um menor protagonismo no
tocante aos esforços administrativos.
O protocolo mediático fai cúmplices a uns reitores que seguem
o ditado da Junta e do PP, dispostos a assinar disposiçons do executivo
popular tanto se é para mal ou para pior, mantendo um lene tom de descontentamento
para limpar as suas degradadas imagens. A covardia destas equipas reitorais
só é comparável à negligência déspota
dum partido que ousa tornar o ensino público numha sorte de carga política,
cujo peso pode ser descarregado impunemente sobre o poder das grandes empresas.
A pouca personalidade duns reitores que se movem ao vai-vem do arbítrio
do PP e do grande capital, está levando as três universidades
galegas a umha posiçom de insegurança ante os escolhos que a
UE nos forçará a salvar. Se nom mudarmos de imediato a negligência
política face o ensino universitário galego, os projectos de
Europa conduzirám à ruína o nosso sistema educativo,
e a emigraçom deixará de ser um fenómeno de justificaçom
laboral para explicar-se em base a uns parámetros, além do mais,
formativos, isto é, de ensino.
O governo autonómico e das universidades compostelá, corunhesa
e viguesa, semelham carecer dos mecanismos ou da vontade suficiente de defesa
de um ensino que se vê desamparado, e que recebrá assim o embate
do EEES sem preparaçom algumha.