Valeo quer fechar factoria ourensana enquanto se lucra da exploraçom no interior das prisons

21 de Dezembro de 2004

O conflito entre a direcçom da multinacional francesa da cablagem Valeo e o quadro de pessoal, ameaçado de despedimento em massa, tomou umha nova dimensom com a descoberta do lucrativo negócio paralelo que a empresa auxiliar da construçom do automóvel mantém no interior das prisons de Teixeiro, na comarca das Marinhas, e Pereiro de Aguiar, na comarca de Ourense.

Segundo publicam diversos meios, Valeo explora em regime de semi-escravatura a populaçom reclusa com a escusa do "valor terapêutico das responsabilidades laborais". Som mais de duascentas as pessoas que cobram por baixo de 360 euros realizando um trabalho que multiplica os lucros da multinacional francesa, que exporta a produçom para Inglaterra, além de para a factoria da Citroën em Vigo.

O negócio nom podia ser mais lucrativo para Valeo. A própria instituiçom penitenciária, dependente do Ministério espanhol do Interior, trata de todo o relativo a despesas correntes derivadas do uso do atelier no interior da própria prisom, tais como a luz, o telefone e a imposiçom da disciplina carcerária aos trabalhadores e trabalhadoras intra-muros. De facto, existe constáncia de que o cárcere de Pereiro de Aguiar está também a iniciar actividades similares de exploraçom de internos, com 66 pessoas já a trabalhar com salários de fame e horários fora de controlo para a mesma firma.

Estamos portanto a falar de um quadro de pessoal similar ao da factoria de Sam Cibrao das Vinhas, em Ourense, mas numhas condiçons draconianas bem mais favoráveis aos tecnocratas de Valeo. Daí o desinteresse por manter a actividade d@s 234 operári@s que irám para a rua se finalmente se cumprirem as ameaças patronais.

Para além da gravidade do caso concreto que analisamos, estamos ante um caso altamente revelador dos "valores" que cotizam na sociedade capitalista em que vivemos. A "reinserçom" dos presos e presas realiza-se através da exploraçom directa por parte de umha multinacional que se lucra do trabalho escravo de pessoas submetidas a um regime carcerário, alheias portanto a quaisquer direitos laborais a começar por um soldo e um horário dignos, ou o direito à autoorganizaçom em defesa desses inexistentes direitos.

A exploraçom de presos surge como mais um factor a complicar umha saída para a ameaça que paira sobre centenas de operários condenados ao desemprego com a escusa da procura de mercados mais "flexíveis", eufemismo capitalista para denominar as mais favoráveis condiçons de exploraçom em países como Marrocos. Porém, é na própria Galiza que os delinqüentes que dirigem Valeo estám já a fazer negócio com a miséria e a mao de obra barata dentro dos muros das prisons de Teixeiro e Pereiro de Aguiar.

Difícil no-lo ponhem para imaginar maior degradaçom social que a patenteada polo "capitalismo real" que transparecem os "negócios" de Valeo. Um de tantos casos que permanecem diariamente ocultos e confirmam a verdadeira natureza do sistema capitalista que padecemos.

 

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