AGIR ante o debate sobre a matéria de religiom

23 de Dezembro de 2004

A entidade estudantil da esquerda independentista, AGIR, fijo pública a sua resposta à campanha reaccionária activada pola Igreja católica nos últimos meses em relaçom com alegados recortes de privilégios previstos polo Governo espanhol do PSOE. Eis o comunicado na íntegra, que pode ser também consultado no web nacional de AGIR:

AGIR ante o debate sobre a matéria de religiom: Defendamos um ensino laico

A Igreja Católica espanhola vem anunciando a activaçom dumha campanha contestatária com a política do actual governo do Estado, após este ter comunicado a programaçom dumhas mudas a respeito de certos temas, alguns dos quais nos atingem directamente como estudantes. Em concreto, vemo-nos imers@s no artificial debate gerado arredor da conveniência dum já existente ensino religioso nas aulas dos centros públicos de ensino.

A imediata e sintomática reacçom da Conferência Episcopal, que pujo em andamento todas as suas engrenagens propagandísiticas, fai com que umha decisom esteja em boca de toda a cidadania, dum modo tam pouco natural como messianicamente imposto por umha prelatura que fede a machismo rançoso e a nacional-catolicismo beligerante. A polarizaçom social manifesta-se diariamente, com declaraçons que tentam alinhar-se com algumha das duas frentes supostamente em aberto confronto.

A degradada dialéctica a respeito dum tema tam transcendente como este, e o dualismo limitante com que os média nos vendem a contenda PSOE vs católic@s, está a levar o assunto por um frívolo roteiro de espectáculo mediático à espanhola.

De AGIR, fart@s como estamos de tanto lixo televisivo, de tanta presunçom social-democrata, de tanto fascismo católico, e também de tanto integrismo nas nossas aulas, manifestamos que só a negaçom dumha máxima por todas as instáncias oficialistas acatada fará com que o ensino, sujeito que está a sustentar o debate, se veja beneficiado, e isto é; a derrogaçom urgente de toda faculdade outorgada à Igreja Católica espanhola para meter a mao no nosso sistema público de ensino. E esta afirmaçom fazemo-la no convencimento de que a autonomia dos centros de estudo nom passa por conceder à Conferência Episcopal a potestade sobre um/ha de cada dez professores/as que rondam as nossas aulas.

Além do mais, consideramos abraiante o mantemento dumha matéria de estudo acientífica, inútil, desprestigiada e, em qualquer caso, profundamente subjectiva, alienante e acrítica por se lhe arrogar o direito a imparti-la a um colectivo concreto com um dogma e uns intereses particulares, a Igreja Católica espanhola. Por se nom for avondo, devemos referir que a transcendência que hipocritamente está cobrando a religiom, é botada em falta noutros terrenos susceptíveis de serem muito mais razoadamente defendidos como matérias escolares, veja-se a cozinha, a sexualidade, a psicologia, a educaçom social, a política... cujo grau de presença nas nossas aulas é nulo.

Por último, queremos salientar o facto, ignorado em todas as tertúlias de café a soldo do regime, de o ensino religioso já ter um espaço muito relevante no programa de cada curso. Actualmente, existem matérias avaliáveis, com presença em todos os centros públicos do Estado, com natureza optativa ou troncal, nas quais o pensamento, ritos, obras, crenças e acontecimentos de carácter ou origem religiosa tenhem acubilho. Pensemos por exemplo em História da Filosofia, em que umha elevada percentagem se dedica à análise e estudo da filosofia cristá, mussulmana e judia; ou História, matéria esta induvitavelmente influenciada pola religiosidade de inúmeros acontecimentos históricos; ou Arte, etcétera.

De AGIR queremos condenar expressamente a campanha iniciada pola Igreja, que teme a estas alturas da história perder os poderes que violentamente lhe fôrom conferidos em obscuras etapas do nosso passado. Citamos em particular o poder sobre a educaçom, ámbito de especial importáncia no que di a respeito ao adoutrinamento das massas. E juntamente, as ferintes e abjectas declaraçons com que, semana sim e semana também, conhecidos inimigos do nosso povo (Gea Escolano, Julián Barrio, Rouco Varela entre eles) açoutam desde as suas poltronas a conciência do nosso país.

 

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Arcebispo Rouco Varela, cabecilha da ultra-reaccionária Conferência Episcopal Espanhola, direcçom da Igreja católica no Estado espanhol