Vigo: revolta vicinal contra política urbanística

31 de Dezembro de 2004

Na passada quinta-feira 30 de Dezembro mais de um milhar de vizinh@s de Vigo assaltavam a sede do Concelho enquanto tinha lugar a aprovaçom do Plano Geral de Ordenaçom Municipal com os votos favoráveis de PP, BNG e Partido Galeguista.

Os incidentes começárom quando unidades da polícia local e espanhola impedírom às pessoas concetradas desde primeira hora da manhá acederem à sessom plenária que se realizava numha sala com capacidade para um máximo de 50 pessoas. @s concentrad@s exigírom que a reuniom fosse trasladada ao auditório municipal, que é utilizado freqüentemente em funçom da quantidade de assistentes, mas fôrom ignorad@s polo Governo municipal. A resposta popular foi entom contundente, enfrentando-se com os agentes dos corpos policiais, rompendo a barreira de segurança que protegia a sala de plenos e acedendo ao interior para apupar os representantes políticos e denunciar a aprovaçom deste plano de jeito antidemocrático e de costas à vizinhança. A firmeza do protesto obrigou a suspender a reuniom durante aproximadamente umha hora. Foi entom quando, com os votos de PP, BNG e PG se decidiu continuar a sessom a porta fechada na sede da presidência da Cámara, após ter sido reforçadas as unidades repressivas para impedir o acesso de qualquer pessoa às instalaçons municipais.

Durante os enfrentamentos, vári@s vizinh@s e policias fôrom ferid@s e produzírom-se destroços no mobiliário do prédio. Polo menos sete vizinh@s fôrom identificad@s pola polícia e posteriormente denunciad@s, a respeito do qual a presidenta da Cámara, Corina Porro, declarava que "chegará até as últimas conseqüências". É de salientar que, pola primeira vez em décadas, a polícia espanhola ocupava um pleno municipal e, neste caso, para impedir a participaçom popular na sessom.

Por seu turno, os representantes do autonomismo voltárom a insultar o movimento vicinal viguês, qualificando as pessoas concentradas de "caceteiras do PSOE" (Xavier Toba) e acusando o porta-voz desse partido, Ventura Perez Marinho, de ser "autor intelectual" (Peres Castrilho) dos incidentes; quando o certo é que @s protagonistas do protesto procedem do movimento vicinal criado em oposiçom às últimas agressons urbanísticas (Ronda de Vigo, portos desportivos, Plano Especial da Guia, Centro Comercial da Laje, etc.) e que começa a tomar um novo rumo de unidade e alargamento dos conflitos impulsionado por agressons globais a toda a comarca como este Plano Geral.

Este Plano, pactuado entre Partido Popular e Bloque Nacionalista Galego, destaca pola liquidaçom da periferia semi-rural viguesa, polo aumento da edificabilidade rumado a um grande incremento da densidade de populaçom, pola construçom de infraestruturas ao serviço das multinacionais industriais e comerciais da comarca, construçom de arranha-céus e enormes urbanizaçons, e destruiçom de praias e demais espaços naturais, para além de regularizar ilegalidades urbanísticas anteriores. Desde o começo, encontrou oposiçom por parte da populaçom e fôrom numerosos os protestos impulsionados polas mais diversas estruturas vicinais, políticas e sociais; também a esquerda independentista, representada por NÓS-Unidade Popular, vem participando activamente na oposiçom ao novo modelo do Vigo do Capital.

 

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