Joám Paulo II, o papa integrista amigo dos ditadores

4 de Abril de 2005

A morte em dias passados do líder mundial da Igreja Católica está a servir para que os grandes media fagam umha imensa campanha de propaganda da figura de Woitila e da Igreja Católica, difundido grandes mentiras sobre o papa e o papel que desenvolveu durante o último quartel de século que durou a sua liderança.

Frente às tam grandes como vazias palavras que pretendem defini-lo como o "papa dos jovens", o "papa viageiro" e outras asneiras do género, é bom lembrarmos os factos reais e concretos da sua actividade política à frente do Estado Vaticano.

Desde o momento mesmo da sua eleiçom, que supujo a ruptura do equilíbrio entre os sectores mais reaccionário e mais aberturista no seio da Igreja Católica, Joám Paulo II principiou umha estratégia integrista e de promoçom dos organismos e sectores católicos mais extremistas, ao tempo que combatia a chamada teologia da libertaçom e o envolvimento da mesma em processos revolucionários como o sandinista na Nicarágua.

Após ter agradecido a sua nomeaçom rezando ante o túmulo do fundador da Opus Dei, Escrivá de Balaguer, ficou clara a sua queda para as directrizes ultras dessa seita, que viu reforçado o seu papel mediante a "linha directa" com Roma, por cima da anterior subordinaçom aos bispados locais, e a ascensom hierárquica de elementos ligados à "Obra".

Na Nicarágua, como na Polónia, o Vaticano de Woitila aliou-se com a CIA no intuito declarado de derrubar ambos sistemas, apoiando política e financeiramente as oposiçons pró-imperialistas e condenando, no primeiro dos casos citados, a participaçom de padres como Ernesto Cardenal no processo revolucionário. Reagan e Woitila formárom na década de 80 umha frutífera coligaçom ultra-reaccionária ao longo do planeta e em apoio de ditaduras como a pinochetista no Chile. Sendo conhecida a amizade pessoal entre Joám Paulo II e Pinochet, nom esqueçamos que o núncio ou embaixador do Vaticano no Chile em tempos da ditadura, Angelo Sodano, passou depois a ser a mao direita do mesmo papa no cargo de secretário de Estado no Vaticano. Mais recentemente, o próprio Vaticano chegou a reclamar a liberdade de Pinochet durante a etapa de prisom domiciliar em Inglaterra, acusado de graves crimes contra milhares de pessoas desaparicidas e assassinadas polo regime pinochetista. Woitila mantivo posiçons semelhantes no caso da ditadura militar argentina. E ainda mais recentemente, em Abril de 2002, o cardeal primado venezuelano representou com cara de satisfaçom o Vaticano na ilegal e finalmente frustrada toma de posse do golpista Pedro Carmona, aquando do golpe de Estado com que a extrema direita, com apoio ianque, quijo derrocar o governo revolucionário chavista.

Quando se tenta pôr o papa recém morto como exemplo ou referente da oposiçom às guerras, será bom também lembrarmos como apoiou abertamente a primeira guerra contra o Iraque, ficando o rechaço à segunda em palavras que em nengum momento se concretizárom em qualquer acçom de oposiçom como as que centenas de milhares de pessoas levamos às ruas do mundo nos últimos anos. O seu apoio ao imperialismo e ódio ao comunismo guiárom sempre a acçom política vaticanista sob liderança de Woitila, na linha do histórico apoio ao nazismo e aos diversos fascismos europeus e americanos por parte de anteriores chefes do Estado vaticano como Pio XII, que chegárom a colaborar na fuga de nazis a seguir da derrota de Hitler.

Na Galiza, o teor reaccionário da política ditada desde Roma tem sido bem patente nas últimas décadas, com umha promoçom descarada da Opus Dei em todos os organismos de poder e um conluio permanente com o sector mais à direita do Partido Popular, incluída a forte presença de membros dessa seita de extrema direita nos sucessivos governos autonómicos, nas universidades e empresas. O caminho de "santificaçom" de Escrivá de Balaguer viu-se acompanhado da promoçom interna de bispos e arcebispos ultras, sendo o ascenso a cardeal de Rouco Varela o melhor exemplo no caso galego. Woitila quijo assim garantir a orientaçom futura da Igreja Católica pola via integrista e reaccionária que ele sempre defendeu.

Neste contexto, é especialmente insultante para a Galiza progressista que, mais umha vez, se produza umha unanimidade entre PP, PSOE e BNG à hora de avaliar a liderança de Woitila e emitir lamentáveis comunicados de condolência que semelham situar-nos no seio de um Estado confissional e fundamentalista religioso.

A condena da homossexualidade, negando a esse colectivo a igualdade de direitos sociais; o rejeitamento ao uso do preservativo como meio para deter o avanço da SIDA; a recusa à eutanásia como direito inalienável a umha morte digna; a ofensiva contra qualquer avanço nas posiçons subsidiárias das mulheres frente aos homens; a defesa extrema da ideologizaçom católica das escolas... som só alguns chamativos preceitos da linha política vaticanista mantida nas últimas décadas por Woitila, que fam parte de umha estratégia que conseguiu situar hierarcas e grandes burgueses integristas à frente dos grandes bancos e aparelhos estatais e institucionais garantindo a imensa capacidade de influência que a dia de hoje continua a deter a Igreja Católica, de todo o qual é boa mostra a campanha propagandística difundida na prática totalidade de meios de comunicaçom durante estes dias.


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Karol Woitila e Augusto pinochet, amigos pessoais e estreitos correligionários em matéria política
Durante os anos 80, estabeleceu-se umha estreita e frutífera aliança entre os EUA e o Vaticano, em apoio de ditaduras e no combate de movimentos revolucionários