Dirigentes do PSOE na Galiza aproveitam "Dia da Raça" para reivindicarem a "unidade espanhola", ante o sepulcral silêncio do BNG

13 de Outubro de 2005

Este 12 de Outubro apareceu no calendário institucional no meio da campanha contra o que o espanholismo considera "excessos" das reformas estatutárias em curso, nomeadamente a catalá. Na Galiza, onde o processo está na fase preliminar, os principais dirigentes do PSOE aproveitárom o "Dia da Raça" ou "Festa Nacional", como o franquismo e o regime monárquico denominam o 12 de Outubro, para reforçarem a linha mais centralista e espanhola do partido governante em Madrid e Compostela.

Vasques nom está só

É conhecido o papel relevante do presidente da Cámara da Corunha nas declaraçons e iniciativas institucionais dos últimos dias. No entanto, outros destacados dirigentes já apoiárom a orientaçom das suas proclamas anti-galegas e de defesa da "indivisível unidade espanhola". Como diria o próprio Vasques, "sem complexos".

Se o presidente da Junta da Galiza, Emílio Peres Tourinho, nom duvidou em definir a provocaçom de Francisco Vasques como "positiva e razoável", a sua mao direita à frente da Conselharia da Presidência, José Luís Mendes Romeu, demonstrou nom ter papas na língua na hora de mostrar a sua adesom à campanha espanholista, dando à mesma definitivamente carácter "de partido".

Em concreto, Romeu, verdadeiro número dous da actual Junta da Galiza, apostou por manter "a formulaçom actual" quanto à consideraçom estatutária e constitucional da "naçom espanhola" como única possível, mostrando assim o seu acordo com Manuel Fraga, que dias atrás descartara a participaçom do PP num debate sobre a consideraçom da Galiza como naçom no novo texto estatutário.

Mendes Romeu falou do "risco" de contrapor as identidades das naçons periféricas à da "naçom espanhola, da qual todos nos sentimos membros".

O silêncio do BNG

No meio da campanha da sucursal galega do PSOE contra a identidade nacional galega e os seus símbolos, o BNG mantém um silêncio de difícil justificaçom, mas se calhar de mais fácil explicaçom. Todo indica que o peso do autonomismo no governo de coligaçom é de grande fraqueza frente ao PSOE, umha fraqueza que parte já da maneira como encarou o processo negociador para a formaçom do Governo. As pressas por ocupar gabinetes nas dependências administrativas da Junta da Galiza, incluída a gerência de diversas conselharias, parece ter colmatado toda umha história que agora se descobre como orientada para este final. Referimo-nos à história do Bloque Nacionalista Galego.

O acesso maciço de quadros do BNG (nomeadamente da UPG) a postinhos na Junta, assim como os compromissos institucionais com o actual sistema, mantenhem os sócios de Tourinho como servos das prebendas cedidas polo Estado, e incapazes de fazerem valer nem que seja minimamente o seu programa, teoricamente "co-soberanista".

Nem sequer nas conselharias que gere parece o Bloque estar em condiçons de exercer essa "co-soberania". Como exemplo, pode citar-se o acontecido com nome do País, "Galiza", nos uniformes da selecçom nacional de futebol que vai debutar em Dezembro. Depois de ter anunciado a inclusom do nome da nossa naçom em correcto galego, a apresentaçom pública por parte da conselheira da Cultura e do director geral dos Desportos "esqueceu" tam importante aspecto do compromisso anterior, coincidindo com a campanha de assédio mediático que lhe dedicou o jornal "La Voz de Galicia".

Já no que di respeito às iniciativas e declaraçons do PSOE na comemoraçom do 12 de Outubro, nem Anxo Quintana nem nengum dirigente nacional do BNG lhe contrapugérom um discurso nacional, nem muito menos obrigárom os seus sócios de Governo na Junta a se limitarem a aplicar o acordo de governo. Um acordo de governo que nom é soberanista, nem de longe, mas tampouco propom agressivas campanhas contra os nossos direitos nacionais como a que nestes dias sofremos.

Nesta tessitura, esperar umha condena da violência policial de ontem na Corunha por parte de Quintana e companhia, junto à exigência de demissom do delegado do Governo espanhol por parte do Executivo "de progresso" da Junta, pode ser umha ilusom à medida das nossas "utópicas" aspiraçons nacionais e sociais.


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O PSOE de Francisco Vasques impom a sua linha ao Governo de coligaçom na Junta da Galiza