Autodeterminaçom é democracia

15 de Junho de 2005

A poucos dias da jornada eleitoral de 19-J, reproduzimos o artigo de Carlos Morais publicado polo jornal A Peneira no número desta semana, dedicado a reflectir sobre a proposta da esquerda independentista para as citadas eleiçons.

 

Autodeterminaçom é democracia

Carlos Morais (membro da Permanente Nacional de NÓS-Unidade Popular)

Nom há cousa mais inútil que apostar no voto útil. Nas eleiçons do 19J, a Galiza e o seu povo trabalhador nom livram a batalha final. Nom jogamos a todo ou nada. Os graves problemas do País, a destruiçom da sua identidade, das bases materiais, a uniformizaçom cultural, nom som responsabilidade exclusiva de umha força política, -neste caso o PP-, tal como interesseiramente nos transmite a oposiçom social-democrata, espanhola e autonomista. A opressom nacional a que nos submete o capitalismo espanhol é a causa estrutural da situaçom de marginalizaçom e empobrecimento galego no quadro da UE e do Estado espanhol.

O desemprego, a precariedade e sinistralidade laboral, a perda de poder aquisitivo, as dificuldades por chegar a final de mês, por aceder a umha vivenda digna, o deterioramento da saúde e da eduçaçom, o desmantelamento do conjunto dos serviços públicos, tampouco estám provocadas unicamente pola nefasta gestom de Fraga nos últimos 16 anos. Por muito que gerem expectativas sobre umha mudança de governo com base na alternáncia política, todo continuará na mesma no fundamental, apoiando esta falsa alternativa.
Pois só exercendo o direito democrático de autodeterminaçom, ou seja, a capacidade da Galiza para decidir livremente sobre o seu futuro, a capacidade da classe trabalhadora para decidir sobre todo o que lhe di respeito, a capacidade das mulheres e da juventude para superar a sua condiçom de pessoas de segunda e terceira, teremos oportunidades reais para superar este obscuro presente.

A esquerda independentista está por acabar com a hegemonia da extrema-direita fraguista na Galiza. Mas isto nom significa cair na ingenuidade de pensar que a alternativa está representada polo espanholismo e as políticas neoliberais do PSOE. O povo trabalhador nom pode esquecer as reconversom industrial, as reformas laborais, a liquidaçom do agro e as agressons contra a pesca dos governos de Felipe González, em que Tourinho ocupou postos de destaque. O PSOE da corrupçom, dos GAL, do desprezo e combate à cultura e ao idioma nacionais, é o que hoje nos apresentam como alternativa a Fraga. O PSOE de Paco Vasques, que organizou o 29 de Maio o desfile militar na Corunha. O que restringiu as liberdades democráticas, o que reprime a juventude galega. Só no último mês e meio, fôrom detid@s 22 moç@s independentistas na Galiza, ante o silêncio dos grandes meios de comunicaçom.

Os seus acompanhantes do BNG tenhem demonstrado nos governos municipais das grandes cidades e vilas, com umha prática acomplexada e cobarde, que aplicam políticas semelhantes às do PP em emprego, urbanismo, liberdades e direitos cívicos, cultura, etc. Que renunciárom a construir a naçom galega para a maiora social que conforma o povo trabalhador, pactuando com Espanha e o Capital umha cómoda integraçom na monarquia borbónica.

Nom passa de pura superstiçom acreditar que, o 19J, um hipotético governo Tourinho-Quintana vai mudar a fundo a nossa vida. Só mudarám os cozinheiros, mantendo idêntica receita.

Nom temos, ao contrário do que nos dim, porque optar entre a SIDA e o ébola. Nom temos porque escolher entre Fraga e o tándem Tourinho-Quintana. Nom temos porque votar tapando o nariz, em aqueles que sabemos nom vam cumprir as suas promessas.

Fai-se imprescindível contribuir para construir umha alternativa de luita e resistência, de esquerda, independentista e feminista, unitária, plural e com carácter de massas. O mais útil neste momento é apostar nesta via, a de reforçar o caminho da alternativa galega e popular, a que representa NÓS-UP, a do voto de esquerda pola liberdade da Galiza.


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