Centenas de pessoas manifestam-se após a morte de um jovem operário num estaleiro de Marim

24 de Fevereiro de 2006

O sector naval mobilizou-se nesta manhá em Ponte Vedra, em protesto pola nova morte acontecida ontem mesmo. "Nom mais mortes no sector naval" foi a legenda da faixa de cabeça numha manifestaçom que se dirigiu até a delegaçom provincial da Junta da Galiza, para exigir medidas que detenham a sangria de acidentes laborais e mortes no sector.

Os factos

Um trabalhador de 21 anos, Paulo Malvido Santos, morreu ontem no estaleiro Nodosa, no porto de Marim (Morraço), ao cair-lhe em cima umha prancha metálica quando desenvolvia o seu trabalho para a citada empresa.

Esta nova morte mantém os acidentes laborais como um dos principais problemas do mundo do trabalho na Galiza, sem que as instituiçons tomem as mais elementares medidas de fiscalizaçom e puniçom contra o patronato, responsável junto à própria Administraçom pública pola continuidade desta lacra que a classe trabalhadora padece em carne própria.

A empresa negou-se a fazer qualquer declaraçom sobre a morte do empregado, que levava dous anos no quadro de pessoal da firma. Mas pessoas conhecidas da vítima confirmárom as condiçons de precariedade laboral em que o jovem se via obrigado a trabalhar, acusando os sindicatos de "consentidores" e de "chuchar do teto" em lugar de defenderem os trabalhadores e trabalhadoras. Pugérom como exemplo os "turnos nocturnos de doze horas com contratos de aprendiz" que o trabalhador falecido realizava.

Para hoje foi convocado um paro de 24 horas no sector naval para exigir medidas de segurança e umha "coordenaçom preventiva" nas empresas, onde prima "a produtividade sobre a prevençom". Lembremos que na mesma empresa morreu um outro trabalhador no posto de trabalho em 2004. Apesar disso, os inspectores de trabalho só aparecem quando a tragédia já aconteceu.

Fazemos público o nosso pesar e transmitimos as nossas condolências à família, companheir@s e amig@s desta nova vítima e unimo-nos à exigência de medidas radicais para evitar a impunidade com que os empresários jogam com a vida dos trabalhadores e trabalhadoras, graças à cumplicidade e passividade da Administraçom.

No porto exterior da Corunha nom se apuram responsabilidades

As obras em que morrêrom os dous operários na semana passada, na corunhesa Ponta Lagosteira, serám reanudadas no dia 1 de Março, sem que um dos corpos tenha ainda aparecido nem existam garantias de que nom haja novos acidentes decorrentes da falta de segurança. De facto, a Inspecçom limitou-se a reclamar formalmente umha série de medidas concretas como a criaçom de um "Escritório Técnico Integrado" e um "sistema de prevençom" que analise as informaçons meteorológicas. Nom parece que haja intençom de fazer pagar as responsabilidades da Unión Temporal de Empresas (UTE) nas três mortes já acontecidas no último ano, nem chega umha semana para corrigir todas as carências verificadas em matéria de segurança.

As indicaçons dadas polo organismo competente deixam em evidência a situaçom em que se vinha trabalhando, com obreiros nom qualificados a desenvolver labores de risco, nem comunicaçom directa com os destinados a pontos de especial perigo. A Inspecçom de Trabalho assegurou que a partir de agora funcionará um "comité para o acompanhamento das grandes obras", o que, de novo, esclarece que esse acompanhamento nom existiu até hoje, sem que ninguém tenha que responder por semelhante incompetência.

 

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