À espera de medidas concretas contra os acidentes laborais

22 de Agosto de 2005

No nosso web temos acompanhado nos últimos anos os acidentes mais graves que se produzem de maneira regular mês a mês, confirmando a Galiza como líder no Estado espanhol e na Uniom Europeia quanto a obreir@s mort@s e ferid@s quando desenvolvem o seu trabalho ao serviço de empresas de todo o tipo, mas que quase sempre coincidem nas suas precárias condiçons de contrataçom.

Com efeito, já ninguém nega que a precariedade está intimamente ligada com as mortes e acidentes graves, e sendo Galiza o paraíso do emprego precário, nom é estranho que seja também o país com mais acidentad@s. Assim, nas empresas subcontratadas ocorrem mais sinistros do que nas principais, e o pessoal contratado em precário ou até trabalhando sem contrato tem bastantes mais possibilidades de sofrer um acidente. Foi o caso dos três trabalhadores e a trabalhadora mort@s em Maio nos estaleiros de Ferrol, e da maior parte da dúzia de mort@s na comarca de Vigo neste mesmo ano, em sectores especialmente precarizados como a construçom.

Mais horas de trabalho em postos perigosos, com o que isso implica para o excesso de fadiga e a falta de atençom, menos investimentos em medidas de segurança por parte dos empresários, escassas inspecçons, falta de qualificaçom de pessoal que é despedido antes de poder dominar a actividade profissional, pagamento à empreitada (por horas trabalhadas ou trabalho realizado)... os factores de risco som conhecidos e constantes.

Porém, as administraçons implicadas sempre estivérom do lado do patronato, interessado em manter as cousas como até agora porque, no fim de contas, o que interessa é conseguir o máximo lucro com o mínimo investimento. Afinal é a pele do obreiro e da obreira que paga com suor e sangue o modelo produtivo capitalista, e os benefícios que este retribui aos empresários.

De facto, nom é estranho que mesmo no momento em que morre um operário ou operária haja problemas para que a sua família poda receber a indemnizaçom correspondente. Periodicamente vemos nos meios de comunicaçom casos de famílias que vem negado polos tribunais o seu direito a serem indemnizadas pola morte de um ser querido no trabalho. Casos especialmente ferintes quando nestes dias assistimos às elevadas indemnizaçons que recebem as famílias de soldados voluntários mortos em acçons de guerra em países ocupados e massacrados por essas tropas que os nossos governantes se empenham em contar-nos que vam ao Afeganistám, armadas até os dentes, "em missom de paz".

Enquanto continuamos a contar as mortes de trabalhadores e trabalhadoras galegas, o novo Governo autonómico, as três principais centrais sindicais actuantes no País e a Confederaçom de Empresários anunciam um acordo contra os sinistros laborais, dez anos depois da aprovaçom de umha chamada "Lei de Prevençom de Riscos Laborais" que nom serviu para evitar o aumento dos acidentes e falecimentos de obreir@s.

Sendo imprescindível um plano de actuaçom neste campo, dificilmente se chegará a umha estratégia favorável aos interesses da classe trabalhadora sem obrigar o patronato a assumir e pagar pola sua responsabilidade na tragédia dos sinistros laborais. Sem umha coerçom desse género, e sem umha mudança da legislaçom laboral que atalhe a ofensiva neoliberal, nom haverá resultados e todo ficará em gestos de consumo mediático.

 

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