UPG assume controlo da ADEGA

4 de Janeiro de 2006

A que vinha sendo a entidade adscrita ao ámbito do nacionalismo maioritário com menor grau de controlo por parte da sua direcçom política, ADEGA, sofreu nos últimos meses umha operaçom dirigida pola direcçom da Unión do Povo Galego para liquidar a autonomia do ambientalismo galego.

A campanha dirigida pola UPG provocou umha sucessom de demissons primeiro e de abandonos mais tarde por parte de significados membros de outras correntes até agora integradas numha entidade plural na sua configuraçom interna.

Ao todo, sete membros da Junta Directiva Geral, incluído o presidente até a Assembleia Geral extraordinária decorrida em Compostela a 27 de Novembro, demitírom-se nas últimas semanas, além de dirigentes das delegaçons de Trasancos, Compostela, Ourense e Vigo. As pessoas já demitidas e as que continuam a abandonar a ADEGA alegam que "nom é possível praticar com garantias um ecologismo independente, dada a forte influência que sobre ela tem a Unión do Povo Galego".

Durante o último ano, a entidade vinha desenvolvendo um debate à volta da necessidade de ser aprovado um "regime de incompatibilidades" em relaçom à simultánea ocupaçom de cargos na associaçom e em forças políticas e candidaturas eleitorais. Um sector da direcçom e das bases apostou nesse debate por "um regime que nom comprometesse a imagem de independência da ADEGA, tradicionalmente muito vinculada ao BNG". O sector mais identificado com a direcçom do BNG, nomeadamente a militáncia da UPG, defendeu que a incompatibilidade fosse restrita e só atingisse à presidência, a secretaria geral e a tesouraria, como até a altura tinha acontecido.

A demissom de seis dos 11 membros da Comissom Permanente e do secretário executivo na reuniom de 15 de Outubro obrigou à convocatória de umha nova Assembleia Geral para 27 de Novembro, em que iria ser renovada a Junta Directiva Geral. No entanto, umha manobra dos membros que ficavam na tal Junta Directiva transformou o encontro num processo parcial para preencher os lugares vagos após as demissons, em lugar da renovaçom completa que os estatutos da entidade marcam. Dessa forma, a candidatura "Ecologismo Galego sem Hipotecas" ficou anulada e a hegemonia do sector subordinado à UPG garantida.

Cargos institucionais e do BNG nom duvidárom em participar na assembleia para apoiar as teses do sector pró-UPG, quer dizer, as que defendem umha ampla compatibilidade entre o activismo ambientalista e os compromissos institucionais e partidários. Deputados autonómicos, presidentes de Cámaras municipais, vereadores, delegados provinciais de diversas conselharias, um director geral da Junta, o secretário de Organizaçom da UPG... umha forte mobilizaçom do aparelho burocrático e político garantiu a submissom da ADEGA à linha política da direcçom da Unión do Povo Galego, graças também à existência do chamado "voto delegado" que permitia a um associado ou associada levar os votos de outr@s nom participantes na Assembleia.

30% da Assembleia abandonou o organismo perante o espectáculo antidemocrático, emitindo a seguir um comunicado em que se avalia o acontecido como a prova de que "a influência da UPG sobre a ADEGA e o seu afám de controlo seguem a ser muito fortes". Em opiniom do sector que agora abandonou a associaçom decana do ecologismo galego, a UPG tinha afrouxado o controlo nos últimos anos pola incapacidade de atender essa frente de trabalho, o que permitira a entrada de activistas sem adscriçom partidária. A origem do golpe de leme agora verificado estaria na decisom directa da direcçom desse partido, sobretodo a partir da chegada ao poder autonómico do BNG, vendo a necessidade de controlar possíveis posiçons críticas surgidas do seio dos movimentos sociais galegos.

De resto, o controlo apertado dos movimentos sociais em que participa é umha "marca da casa" da UPG durante toda a sua trajectória política, conhecendo-se precedentes recentes como o da Mesa pola Normalización Lingüística, a Plataforma Nunca Mais ou a histórica pugna no mesmo sentido no seio do sindicalismo nacionalista.

O significativo sector que nestas semanas está a abandonar a Associaçom para a Defesa Ecológica da Galiza reafirmou publicamente a sua vontade de continuar a trabalhar no ambientalismo de maneira colectiva, umha vez que considera que a ADEGA deixou de ser a ferramenta adequada para o fazer livre de controlos partidários.

 

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