Privatizaçom e esbanjamento podem deixar sem água dous terços da humanidade em duas décadas

28 de Março de 2006

O Encontro Internacional de Experièncias pola Água, que decorreu no México neste mesmo mês no quadro do IV Fórum Mundial da Água, serviu para pôr em evidência a iminente chegada do que os e as especialistas denominam já "a crise global da água". É o caso de Maude Barlow, presidenta da organizaçom canadiana Council of Canadians e ganhadora do prémio Nobel Alternativo que entrega a fundaçom sueca Right Livelihood, quem afirmou no citado evento que, a continuar a tendência actual, dous terços da populaçom do planeta vai ficar sem acesso a água limpa daqui a 2025.

Por regions, a populaçom latino-americana é umha das que tenhem menos acesso e consumo de água, apesar de a bacia amazónica representar 20% do recurso hídrico mundial de água doce. Mais de 130.000.000 de pessoas dessa regiom nom tenhem acesso a água potável no lar, e apenas 86.000.000 tenhem serviços sanitários adequados.

Entretanto, a privatizaçom dos recursos hídricos e o sistemático engarrafamento em plástico para consumo de umha minoria que pode pagá-la desvia recursos que deviam ir para criar infraestrutura e tratamento que possibilitasse o acesso generalizado e evitasse a poluiçom da água.

A crise global da água é já umha realidade

Nom falamos de ciência ficçom nem de um futuro indeterminado. Como expressom actual da crise global da água, podemos citar que, em 2005, o mundo rico gastou 100 bilions de dólares em água engarrafada, um dinheiro que garantiria o tratamento necessário para possibilitar o acesso a água potável de toda a populaçom mundial. Na actualidade, 2.4 bilions de pessoas, 2/5 da populaçom mundial, carecem de acesso a água em condiçons salubres, e 1.1 bilions, 1/6 da populaçom mundial, nom tenhem acesso a água potável.

A falta de acesso a água potável e em condiçons salubres provoca a morte de 2.200.000 pessoas nos países empobrecidos polo capitalismo cada ano, incluídas 6.000 crianças diárias. 1 biliom e meio de pessoas padecem doenças infecciosas de origem parasitária devido à falta de higiene necessária, devido em boa medida à falta de água.

A insuficiente consciência entre a maioria da populaçom sobre os problemas que a escasseza de água e a mercantilizaçom de um bem tam imprescindível provoca, está a permitir que o neoliberalismo capitalista avance com passo firme na sua política privatizada e esbanjadora. Salienta neste senso a exclusom do acesso à água como direito fundamental na Declaraçom de Direitos Humanos aprovada pola ONU, como exemplo da desconsideraçom polo papel central que esse recurso básico irá ter no desenvolvimento da crise capitalista nos próximos anos.

 

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A crise global da água já está aí