Assembleia de Mulheres do Condado denuncia criminalizaçom do feminismo na comarca
25 de Outubro de 2005
A Assembleia de Mulheres do Condado (AMC), difundiu um comunicado em que avalia a situaçom criada na comarca após a condena de um vizinho das Neves por um delito de "abusos sexuais em grau de tentativa". A AMC considera a condena muito reduzida e denuncia intimidaçons por parte da Guarda Civil contra as pessoas que participárom na campanha de apoio à rapariga agredida, incluindo denúncias por participar em concentraçons contra pessoas que nesse momento estavam nas suas respectivas moradas.
Frente ao assédio policial contra a luita das mulheres, a Assembleia de Mulheres do Condado organiza umha palestra para a próxima sexta-feira, 28 de Outubro, às 20.30 sob a legenda "Defender às mulheres nom é delito", que contará com a intervençom dumha rapariga vítima dumha agressom sexual e a Responsável da AMC. O acto terá lugar na Baiuca Vermelha, na vila de Ponte Areas.
Polo seu interesse, reproduzimos na íntegra o comunicado da Assembleia de Mulheres do Condado:
Nom à
criminalizaçom do feminismo
DEFENDER ÀS MULHERES NOM É DELITO
No dia 27
de Junho, o vizinho das Neves José Luís Estévez foi condenado
polo Julgado nº 2 de Ponte Vedra, como autor penalmente responsável
por um delito de abusos sexuais em grau de tentativa com umha pena de:
- 12 meses de multa, com umha quota diária de 6 euros.
- Proibiçom de aproximar-se num raio de 500 metros da sua vítima, e de comunicar-se com ela por qualquer meio durante 4 anos.
Tal como já manifestamos no seu dia, para a AMC esta pena é ridícula em relaçom com as graves acusaçons de violaçom e abusos sexuais que várias mulheres do Condado tenhem realizado contra José Luís Estévez. Porém, os Julgados dam a razom às mulheres, neste caso a Rosa Maria, que, com valentia e coragem, nom calam, nem se resignam a padecer impunemente estas agressons sexuais, e denunciam o violador.
Mas, nesta larga luita contra o terrorismo machista, a AMC e muitas pessoas e entidades que nos apoiárom padecêrom pressons e intimidaçons por parte Guarda Civil. A perseguiçom significou que fôrom fotografados locais onde se colárom as nossas folhas informativas, obrigando vári@s proprietári@s de estabelecimentos a emprestarem declaraçom no quartel, para amedrontar assim as pessoas que no seu dia entendêrom que estes factos nom deveriam ficar impunes. Pretende-se converter as vítimas das agressons e o feminismo organizado em culpável, e o agressor, o violador, em vítima.
José Luís Estévez, aplicando a tese de que nom há melhor defesa do que um bom ataque, decidiu por meio do seu advogado acusar de calúnias o movimento de apoio às vítimas das agressons sexuais. Assim, com a ajuda da Guarda Civil, que filtrou a listagem de destacad@s activistas feministas e independentistas de Ponte Areas, há mais de meia dúzia de pessoas imputadas por calúnias.
Pretende-se realizar um julgamento falso contra os direitos das mulheres empregando o modelo das "listas negras" tipicamente franquistas.
O delírio deste processo atinge tal grau que a maioria das pessoas imputadas de apoiarem a concentraçom de Ponte Areas (17 de Dezembro de 2004), e a mobilizaçom autorizada de 29 de Janeiro nas Neves, NOM PARTICIPÁROM. Ou bem nessas duas datas estavam nos seus respectivos postos de trabalho, ou bem, no caso de umha delas, encontrava-se na Alemanha por motivos laborais. Alucinante!
Estas medidas repressivas pretendem calar as mulheres que denunciamos o terrorismo machista e a hipocrisia social que o ampara e protege. Mas a AMC, por muitas intimidaçons a que se veja submetida, por muitas pressons que padeçamos, nem vai ficar calada, nem vai deixar de denunciar todo o tipo de agressons machistas contra as mulheres. Continuaremos até o final apoiando Rosa e a todas as mulheres agredidas.
Fazemos um apelo a todas as mulheres que sofrem algum tipo de agressom machista a nom se resignarem, a nom levarem em silêncio a agressom, a nom ficarem caladas, a que denunciem o agressor com nomes e apelidos, para evitar mais agressons. A AMC compromete-se a a dar cobertura jurídica e apoio social.
E apelamos o
conjunto do povo de Ponte Areas e do Condado a solidarizar-se com as pessoas
imputadas nesta perseguiçom política a quem apoia a luita contra
as agressosn e a igualdade plena de mulheres e homens. Contra a repressom,
solidariedade!.
Ponte Areas a 24 de Outubro de 2005