19 de Junho: BNG sai derrotado e PP pode acabar governando graças a uns milhares de votos alheios à Galiza

20 de Junho de 2005

Tempo haverá para umha análise demorada da jornada eleitoral de ontem na Comunidade Autónoma Galega. Porém, podemos já avançar alguns dados e conclusons de interesse. Para já, o espanholismo no seu conjunto sai reforçado de umhas eleiçons em que o BNG, mais umha vez, jogou a perder com um programa dificilmente distinguível, para a maioria, do que apresentava o PSOE. E perdeu. Em concreto, 34.502 votos, em relaçom aos conseguidos há quatro anos, que representam quatro deputad@s, um por cada cirscunscriçom. Tinha 17 e agora terá 13.

Por seu turno, o PSOE aumentou espectacularmente, atingindo 189.057 votos por cima dos que já tinha em 2001 (passa de 17 deputad@s para 25), graças seguramente ao chamado "efeito Zapatero", mas também à falta de carácter distintivo com que o BNG se apresentou ante o eleitorado galego, o que favoreceu a lista social-democrata e autonomista sustentada polo partido do Governo espanhol actual. Após duas legislaturas por cima do PSOE em representaçom institucional, o BNG volta ao terceiro lugar no Parlamento, por baixo dos dous principais partidos espanhóis. Sendo esta umha má notícia, corresponde ao próprio BNG reflectir sobre a sua responsabilidade no imparável descalabro que vem sofrendo desde há uns anos, em funçom das suas evidentes renúncias nos planos nacional e social.

Dito o anterior, cumpre ainda denunciar a fraude do chamado "voto emigrante", que pode acabar por permitir ao PP continuar à frente da Junta apesar de ter menos votos que a soma de PSOE e BNG na Galiza. Todo mercé do apoio de uns milhares de votos de pessoas totalmente desligadas da realidade galega em muitos casos há décadas, e mesmo d@s votos d@s filh@s e net@s dessas pessoas, enquanto @s imigrantes de outras nacionalidades que sim vivem e trabalham na Galiza nom podem votar nesta "Europa das liberdades".

É um facto que o PSOE e o próprio BNG som cúmplices no sustentamento da fraude de um "voto emigrante" equiparado com o dos galegos e galegas que vivemos e trabalhamos na Galiza. Porém, como democratas, independentistas e comunistas, nom podemos deixar de denunciar a possibilidade de que o Governo da Junta da Galiza poda ser decidido pola paróquia conservadora que o Partido Popular mantém a milhares de quilómetros da Galiza, desligada da nossa realidade nacional e em muitos casos amarrada por interesses clientelares aos partidos que em cada ocasiom detenhem o poder no Governo espanhol e na Junta.

Devemos finalmente, nesta reflexom de urgência sobre a jornada eleitoral de ontem, salientar o pequeno avanço experimentado polo independentismo no seu conjunto, dentro dos bem modestos resultados atingidos polas duas candidaturas apresentadas. A FPG, com os seus 16 anos de história eleitoral às costas, confirma o carácter de força independentista mais votada, embora perda 149 votos em relaçom à anterior convocatória autonómica, passando de 2.841 votos em 2001 a 2.692 em 2005, e mantendo Cangas como principal praça forte.

Quanto a NÓS-Unidade Popular, esta foi a segunda participaçom numha convocatória eleitoral, existindo só as Eleiçons europeias como referente prévio. Em relaçom a essas votaçons (há exactamente um ano), NÓS-UP aumenta 326 votos (24,23%), passando de 1.345 para 1.671.

Sendo esta a primeira vez que duas candidaturas independentistas e socialistas participavam em simultáneo numhas eleiçons, comprovou-se que ambas tenhem dinámicas e bases de apoio relativamente autónomas, aumentando NÓS-UP apesar da presença da FPG, e seguindo esta umha dinámica de lenta perda de votos que nom semelha depender da concorrência de NÓS-Unidade Popular.

Tempo haverá nos próximos dias, como dizíamos no início, de aprofundarmos na análise dos resultados e nas conclusons políticas dos mesmos. Fiquemos por enquanto com um último dado para a reflexom. O independentismo no seu conjunto conseguiu ontem mais votos dos que nunca tinha somado na sua história, ao situar-se pola primeira vez por cima dos 4.000. Concretamente, 4.363 votos independentistas e de esquerda.

 

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