Corunha: NÓS-UP denuncia esbanjamento de dinheiro público para satisfazer "delírios patrioteiros" de Francisco Vasques

30 de Outubro de 2005

A Assembleia Comarcal de NÓS-Unidade Popular na Corunha, cuja filiaçom participou activamente na mobilizaçom do passado dia 12 de Outubro contra a imposiçom da bandeira de Espanha no passeio do Orçám da cidade, emitiu agora um comunicado em que denuncia o alto custo de manter umha escolta permanente da "roja-y-gualda" gigantesca na costa corunhesa.

Em concreto, lembra NÓS-UP, "7.000 euros som os que vai custar ao concelho manter o bandeirom de Espanha na coiraça do Orçám, ou, o que é o mesmo, 7.000 euros que nos vai custar a nós manter este capricho pessoal de Francisco Vásques". A organizaçom independentista refere-se à vigiláncia a que a Polícia municipal submete as vinte e quatro horas do dia a bandeira espanhola, o que supom a permanência de seis polícias ao longo do mês no local.

O rejeitamento à imposiçom desse símbolo do imperialismo espanhol na nossa terra foi patente já no mesmo dia do acto institucional promovido polo dirigente do PSOE e presidente da Cámara da Corunha. O "medo" a que a bandeira poda acabar por arder fijo com que Vasques decidisse desviar agentes da Polícia local dos labores que lhes deviam ser próprios ao serviço do povo corunhês para outros absurdos e que unicamente se justificam em funçom da satisfaçom do que NÓS-UP denomina "delírios patrioteiros" do espanholista que preside a Cámara municipal corunhesa.

De outra parte, um representante da Polícia municipal da Corunha criticou em "La Opinión de A Coruña" o ridículo que Vasques impom aos membros desse corpo, obrigando-os a "vestir-se com disfarces" em actos institucionais como o de 12 de Outubro, e a exercerem labores de vigiláncia de "um pau e um trapo".

Hoje mesmo, Ramiro Vidal Alvarinho, membro da Direcçom Comarcal de NÓS-Unidade Popular na Corunha, publica um artigo no citado jornal sobre o mesmo tema. A publicaçom do artigo nom respeitou a grafia em que originariamente estava escrito. Por isso aproveitamos para oferecer aqui a versom original do mesmo:

 

"Um capricho de 7.000 euros ao mês

O artigo publicado no dia 26 de Outubro de 2.005 neste rotativo, referente às despesas que está a gerar a léria da bandeira no Orçám, foi revelador de muitas cousas, e isso que quem assinava o artigo nom tinha intençom nengumha de agitar sentimentos anti-espanholistas ou republicanos. Mas é um argumento que se nos serve na própria mesa com dados concretos e tudo... e nom haverá outros problemas aos que atender? E nom haverá outras cousas nas que inverter o dinheiro público? De verdade é justificável política e eticamente manter toda esta grotesca pantomima polo que afinal parece que todos e todas coincidimos em que é um cacho de tea?

Pois o alcaide da Corunha, a pesar dos interrogantes razonáveis que se abrem só com fazer um plantejamento inocente do tema, nom tem dúvidas. Para ele esta bufonada imensa nom apenas é justa e necessária, é que aliás é a cousa mais lógica do mundo. Polo menos, umha cousa sim que se pode dizer a favor de Francisco Vázquez e o sector ultra que foi o 12 de Outubro a fazer acto de fé patriótica ao Orçám; reconhecem que o projecto nacional espanhol está em crise, ainda que nom aceitem que esse diagnóstico lhes venha do outro lado da barricada. Mas eles, com o seu discurso paranóico e apocalíptico, estám a chamar de maneira contínua ao fechamento de fileiras em torno a actos como este, actos que nom seriam necessários se os que temos as nossas objecçons ideológicas à presença de determinados símbolos fóssemos “quatro gatos”, como alguém nos berrava enquanto estávamos concentrados a poucos metros de onde Paco Vázquez tinha montado o seu show. O alcaide da Corunha sabe que nem ele nem o modelo de cidade que defende pintam nada numha Galiza com consciência nacional e por isso montou a que montou seja qual for o custo económico da sua genial ocorrência.

Nom é difícil atacar o ressesso espectáculo bandeiril do 12 de Outubro, a imensa maioria da sociedade corunhesa o viu como um tema fora de lugar, com os matizes mais diversos, nom sempre desde posturas nacionalistas ou independentistas; a bandeira aí nom pinta nada e o actinho de homenagem nom vinha a conto em primeiro lugar polo óbvio: porque há problemas reais que resolver, como a vivenda, o transporte, o desemprego, a marginaçom social, os problemas ambientais...e depois, claro que muitos e muitas nos manifestamos contra esse acto por questons ideológicas, mas isso nom é nengum delito nem é nengum acto inmoral. Simplesmente estávamos a exercer um direito. No exercício desse direito consguimos destapar quem realmente assistiu a essa feira dos horrores de Paco Vázquez; certo grupelho de gente se nos encarou fazendo o saúdo à romana e berrando “Arriba España!” (nom dezia o alcaide que aquele era um acto de adesom aos valores da Constituiçom? Dentro desses valores cabe o fascismo?) Ao que nós, com todo o intolerantes e descerebrados que somos, respondemos as mais das vezes com sentido do humor, nom sendo no caso de algum “valente” que foi directamente a provocar o enfrentamento físico sabendo que tinha aos anti-distúrbios da sua parte. Os democratas...

Afinal, veu-nos dar a realidade material e implacável do dinheiro um favor; 7.000 euros ao mês...pois nada, que o paguem a escote os do “Arriba España”."

 

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