Iniciativa berziana reclama que os novos estatutos permitam a reintegraçom do Berzo na Galiza

30 de Agosto de 2005

Um grupo de até 34 berzianos e berzianas difundírom um abaixo-assinado em que exponhem a sua posiçom ante o processo de reformas estatutárias, reclamando que, tal como fazia o de 1936, o novo Estatuto de Autonomia da Galiza recolha a possibilidade de que territórios excluídos polo actual podam reintegrar-se na Galiza administrativa.

Entre as pessoas assinantes, encontram-se activistas culturais, músic@s e militantes de diversas organizaçons da esquerda berziana. Oferecemos a seguir o texto na íntegra, bem como a listagem de aderentes à importante iniciativa.

 

Tira por ela Galiza, mas Castela nom a solta

A frase que dá título a este artigo nom é umha proclama maximalista da esquerda independentista galega, nem umha pintada actual nas ruas de Ponferrada, Cacabelos ou qualquer outra vila ou aldeia da nossa comarca. Som dous versos de Antonio Fernández y Morales, do poema "Vila Franca e a Vendima", publicado no seu livro em galego "Ensayos poéticos", lá por 1861. Nestes versos, assim como noutros do seu livro, e mesmo no conjunto do volume, Fernández y Morales recolhe a problemática da identidade lingüístico-cultural, mas também político-administrativa do Berzo, que (contrariamente ao que muitas vezes defendem algumhas vozes interessadas em ocultar, desvirtuar ou negar o presente e o passado da nossa comarca), é umha discussom e um debate constante ao longo da história do Berzo e ao longo da história do conjunto da Galiza. Pronunciamentos em prol da integraçom ou reintegraçom da comarca berziana na Galiza (assim como do resto da chamada Galiza irredenta, comarcas sob actual administraçom asturiana ou castelhana e leonesa), repetem-se constante e incessantemente desde que se procedeu à separaçom da nossa comarca do seu ámbito geográfico-político natural, e esses pronunciamentos nom desaparecêrom nem com a ditadura fascista, nem durante a reforma bourbónica.

Nós sabemos que conhecermos o passado serve nom só para entendermos o presente, mas para articularmos o futuro. É por isso que defendemos e reclamamos, ao fio das anunciadas reformas dos estatutos de autonomia de Castela e Leom e da Galiza, que as forças políticas actuantes nestas duas comunidades autónomas tenham em conta a existência da nossa comarca. Porque o debate sobre a reforma dos estatutos de autonomia destas duas comunidades autónomas nos afecta, como berzianas e berzianos, de duas perspectivas.

Por umha parte, é necessário que a futura reforma do Estatuto de Autonomia de Castela e Leom sirva para avançar no processo de reconhecimento administrativo da comarca do Berzo, procedendo também a umha urgente reforma da Lei da Comarca, aprovada há já 14 anos. Neste sentido, o Conselho Comarcal do Berzo, como organismo político-administrativo que reconhece a nossa singularidade, deve recolher mais competências (algumhas provenientes dos concelhos da nossa comarca, mas fundamentalmente provenientes da Junta de Castela e Leom e, sobretodo, da Deputaçom Provincial, num processo que leve à progressiva desapariçom desse organismo na nossa comarca), ao tempo que democratiza o seu sistema de eleiçom e funcionamento, instaurando-se, entre outras medidas, a eleiçom directa dos seus membros por parte da populaçom. Em definitivo, é preciso avançar no reconhecimento formal e real da comarca berziana como ente político-administrativo capaz para se autoorganizar e construir o seu futuro, sem imposiçons por parte de Leom ou de Valhadolid.

Por outra parte, o novo Estatuto de Autonomia de Galiza deve servir para avançar na instauraçom de medidas, reais e tangíveis, que colaborem para a resoluçom do conflito histórico que padecemos no Berzo. O futuro Estatuto de Autonomia deve recolher no seu articulado (tal e como fazia o Estatuto aprovado em 1936, mas também o projecto de Estatuto de Autonomia elaborado em 1978, aprovado pola Assembleia de Parlamentares Galegos), a legitimidade e o direito de se agregar à Comunidade Autónoma Galega por parte de "qualquer território limítrofe de características históricas, culturais, económicas e geográficas análogas". Entendemos que a inclusom dumha mençom destas características possibilitaria, junto com outras necessárias acçons, a integraçom do Berzo à Comunidade Autónoma Galega no caso de que umha maioria da populaçom berziana assim o desejasse. Esta é umha opçom tam legítima e justa como qualquer outra das que actualmente estám em debate, e existem numerosos argumentos, históricos, culturais, sociais, políticos, económicos, etc..., para defendê-la.


Este artigo é assinado por: Igor Lugris Alvares, Aniceto Reyes Vázquez, Ângelo Rodrigues Meraio, Marcos González Cao, Noélia Fernandes Marquês, Eduardo Silva Bafaluy, Roberto García Delgado, Xabier Lago Mestre, Xoan Carlos de la Torre Castellano, Manuel José de la Fuente Moldes, Alberto Gómez Bautista, Emilia Álvarez Castelao, José L. Moldes Bello, Sílvia Remiseiro Ribas, Xoan Carlos Bouso Carballeira, Jose Manuel Alonso Farelo, Sarai Fernandes Marquês, Lionel Rexes Martínez, Oscar Nin Garcia, Javier Martínez Rodríguez, Marcos Tahoces Olano, Manuel Fernández Alua, Miguel Montero Blanco, Amadeo Vega Vega, Balbina Garcia Donís, Sadrac Añon Cao, Francisco Javier Fernández Gilmartín, Alejandro Villadancos Fernández, Marcos Lancenares Herrero, Santiago Gómez González, Rafael Capelo Carrera, Daniel Blanco Alonso, Remedios López Álvarez, Maria Gomez Diaz.


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