Bolívia: entre a insurreiçom popular e a conciliaçom institucional

6 de Junho de 2005

A situaçom pré-insurreccional que vive a Bolívia, com grande parte das estradas bloqueadas e as ruas das principais cidades continuamente ocupadas pola insurgência popular, nom consegue ser afogada polos diversos estratagemas institucionais.

Nem a ameaça de demissom do presidente Mesa primeiro, nem a possível cessom de umha Assembleia Constituinte depois, conseguírom arrefecer os ánimos da populaçom, que continua a exigir a nacionalizaçom do gás e o petróleo, enquanto crescem as ánsias revolucionárias no seu seio. A penúltima jogada arranjada polo poder burguês consiste na saída à cena da influente Igreja Católica boliviana com umha oferta de pacto entre a oligarquia latifundiária e petroleira e os sectores reformistas do movimento popular, juntamente com um adianto eleitoral que pudesse dar o Governo ao Movimento ao Socialismo, a facçom mais conciliadora da oposiçom de esquerda.

A manobra excluiria a nacionalizaçom dos sectores estratégicos da economia boliviana, eixo das revindicaçons populares, desactivando as crescentes mobilizaçons e politizaçom das massas mediante umha convocatória de eleiçons antes do fim do ano. Assim, Repsol, Petrobras, Total, Enron, Shell, British Petroleum e outras multinacionais garantiriam o controlo económico do país, e o imperialismo ianque a sua submissom política.

Os hierarcas católicos, o presidente Mesa e o chefe da oposiçom, Evo Morales (do MAS) semelham concordar numha soluçom desse género, que procura a paz social sem umha soluçom de fundo às grandes desigualdades sociais que definem a Bolívia como um dos países mais empobrecidos do continente americano. Daí que os cada vez mais fortes sectores da vanguarda revolucionária, como a Central Obreira Boliviana (COB), as Federaçons de Mineiros e Mestres Urbanos e Rurais de La Paz, a Central Obreira Regional do El Alto e a Federaçom de Juntas vicinais do El Alto, rejeitem a conciliaçom de classes e apostem nom só pola queda do Governo, mas pola toma do poder polas classes operária e camponesa.

Representantes da COB afirmárom que "com a convocatória à Assembleia constituinte ou sem ela, El alto continuará na luita e o paro cívico laboral proque estamos a brigar pola nacionalizaçom e a industrializaçom do nosso gás".

Em resposta à proposta de mediaçom da Igreja Católica, o líder da Central Obreira Bolivana, Jaime Solares, dixo que "a Igreja Católica está a defender a grande propriedade dos ricos e nom os interesses sociais", interpretando como umha armadilha o pedido da hierarquia católica para suspender as manifestaçons e bloqueios que convulsionam o país nestes dias. Solares acrescentou ainda que "tanto fai se vinher outro governo, como estám a propor. Nom luitamos por pessoas, queremos a nacionalizaçom dos hidrocarburos, que som de interesse nacional".

O objectivo é, para os sectores mais avançados das massas bolivianas, a expulsom das transnacionais e a derrocada da democracia burguesa.

[Informaçom de Econotícias Bolivia]

 

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