José Bono passeia o seu chauvinismo espanhol na Galiza, com Anxo Quintana de auxiliar lambe-botas

8 de Novembro de 2005

Definitivamente, Anxo Quintana gostou de mais do seu papel de vice-presidente da Autonomia, perdeu qualquer decoro e cada dia supera-se a si próprio. A penúltima ocasiom que tivemos para o comprovarmos foi ontem mesmo, vendo-o no seu papel de actor secundário no "filme de guerra" protagonizado pola estrela espanhola José Bono, ministro da Defesa.

Nada de novo, quanto ao discurso e atitudes provocatórias do máximo representante da linha mais espanholista e reaccionária do PSOE. A novidade foi só o decorado escolhido desta vez: nem a sua querida Espanha, nem as "províncias traidoras" bascas, nem a "insolidária" Catalunha. Agora foi a Galiza, e todos e todas tivemos que aturar nom só o habitual discurso imperialista do ministro espanhol da Defesa, como também o "papelom" do cabeça visível do BNG a exercer de lambe-botas do representante estatal enviado pola "villa y corte".

Em Marim (comarca do Morraço), José Bono pressumiu, como nom, de espanhol, afirmando ante os estudantes da Escola Naval Militar que "Espanha nom é um prédio em construçom, e muito menos em ruínas; é antes umha das naçons mais veteranas". A seguir, animou os aprendizes da força naval espanhola a serem "boas pessoas, bons militares e bons espanhóis", brindando finalmente "pola Armada Espanhola, polo Rei e por Espanha". O belicoso ministro apelou ainda com insistência ao que chamou "sentimento de apego e de amor a Espanha" e a "pô-lo em valor para ser militares", em referência indirecta ao artigo 8º da Constituiçom, que estabelece a funçom do Exército como garante da unidade dos territórios actualmente dominados polo Estado espanhol.

Na mesma linha chauvinista, o ministro do PSOE nom duvidou em afirmar categoricamente que "do ponto de vista jurídico e constitucional, só há um território susceptível de ser naçom, e é Espanha", desacreditando assim as pretensons reformistas nom apenas das forças autonomistas catalás, mas também do próprio BNG, partidário de que a Constituiçom espanhola reconheça retoricamente à Galiza a condiçom nacional, prévia renúncia a qualquer veleidade autodeterminista que outrora definiu a acçom política de todo o nacionalismo galego.

A novidade, se bem que relativa em funçom do perfil do personagem, correspondeu a Anxo Quintana, que nom só nom contrapujo qualquer discurso próprio ante as palavras de Bono, como agradeceu publicamente a sua presença na Galiza, limitando a sua "declaraçom de princípios" a prosseguir com o que de maneira absurda chama "cooperaçom inteligente" entre a Administraçom central e a autonómica.

Com um discurso e umha atitude claramente pusilánimes, Quintana identificou a fabricaçom de armamento e materiais auxiliares para o Exército espanhol no nosso território como o exemplo de que "existem empresas galegas com futuro" e mesmo de que "a Galiza tem o seu sítio no Estado e no mundo" (sic). Referia-se Quintana à empresa Uro, que elabora umha centena de veículos todo-o-terreno por ano para as Forças Armadas espanholas e que nestes dias assinou um novo contrato para os próximos cinco anos.

Bem barato sai, como se vê, ao Governo espanhol conseguir que a dirigência ainda autodenominada "nacionalista" do BNG esqueça o que a maquinaria de guerra espanhola sempre representou para a Galiza e continua a representar segundo mandato constitucional directo. Será que ninguém no BNG vai pedir a Quintana que deixe de fazer o ridículo?

 

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Quintana nom duvidou em passear com José Bono a bordo de umha viatura de guerra fabricada numha empresa de Compostela
Também a UPG gosta do "bom talante" e as "responsabilidades de governo". O conselheiro Fernando Branco participou com Anxo Quintana nas boas vindas a José Bono