Caçada humana em Londres

23 de Julho de 2005

Ontem mesmo, a Polícia londrina respondeu a tentativa de novo atentado do dia anterior com a execuçom gratuita de umha pessoa "suspeita", sem que fosse esclarecida qualquer prova ou acusaçom concreta para além das suas características raciais. Nengum "defensor do Estado de Direito" questionou a actuaçom policial. Nós reproduzimos a seguir o editorial publicado hoje polo jornal basco Gara em que se analisa a gravidade do assunto.

Caçada humana em Londres

A Polícia británica começou em Londres umha caçada humana que ontem já cobrou a primeira vítima. Segundo as testemunhas presenciais, um homem de feiçons asiáticas foi perseguido, detido, espancado na cabeça e executado imediatamente de cinco disparos na estaçom de metro de Stockwell. A versom oficial assinala que "lhe dérom o alto e negou-se a obedecer", e o presidente da Cámara de Londres, Ken Livingstone, justificou a actuaçom policial a dizer que "se um tem à sua frente alguém que poderia fazer detonar explosivos se lhe for permitido ficar em estado consciente, é lógica umha política de atirar a matar". A questom é que a Polícia nom informou de que esta pessoa levasse qualquer género de explosivo, nem quais as razons polas quais era perseguido. Evidentemente, nom era um dos quatro suspeitos de provocar as explosons da véspera e cujas fotografias já fôrom publicadas. E, o que é muito mais grave, é preciso insistir em que existem testemunhos que assinalam que os disparos se produzírom depois de que esta pessoa tivesse sido reduzida e espancada no chao.

As autoridades, a começar polo próprio Tony Blair, reiterárom que os ataques do islamismo jihadista nom devem alterar a vida e o comportamento dos londrinos. No entanto, é evidente que sim alterárom o comportamento das forças policiais, umha vez que o acontecido ontem na estaçom de Stockwell escapa às formas de actuaçom aceitáveis num Estado de Direito. E dá nas vistas que Londres se converteu numha cidade que, em muitas zonas, padece um autêntico estado de sítio, e que continuamente está a ver-se convulsionada, quer por falsos alarmes, quer por espectaculares e inúteis actuaçons policiais.

No falso debate entre segurança e liberdade, as autoridades británicas escolhêrom a restriçom ao máximo dos direitos -incluído o direito à vida para quem tiver feiçons asiáticas ou aspecto mussulmano e realizar movimentos "suspeitos"-, embora nom esteja nada claro que sejam capazes de garantir a segurança. A Polícia demanda, além do mais, poder manter detidas pessoas durante três meses sem necessidade de apresentar umha acusaçom contra elas. Nom parece que estas sejam características de um "paraíso democrático", esse que Blair, Bush e outros mandatários mundiais dim querer preservar dos ataques dos "fanáticos" e "os inimigos do nosso modo de vida".

 

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