De Cacharrom a Castinheira. Espanha declara a guerra à juventude revolucionária

18 de Novembro de 2005

Reproduzimos o artigo de opiniom assinado por Berta Lopes Permui, umha das jovens represaliadas no passado mês de Maio pola Guarda Civil na denominada "Operación Cacharrón" dirigida contra a organizaçom juvenil independentista BRIGA. Nele, a autora analisa a relaçom entre aquele golpe repressivo e o mais recente contra a AMI.

 

De Cacharrom a Castinheira. Espanha declara a guerra à juventude revolucionária

Berta Lopes Permui

As organizaçons juvenis independentistas galegas padecêrom nos últimos seis meses duas operaçons repressivas por parte da Guarda Civil.

No passado mês de Junho, concretamente nos dias 1, 2 e 9, nas cidades da Corunha e Compostela a Guarda Civil punha em marcha a operaçom "Cacharrón", no marco da qual fôrom detid@s seis militantes de BRIGA, cinco d@s quais fôrom acusad@s e estám sendo processad@s por associaçom ilícita, injúrias às instituiçons do Estado e danos.

Naquela altura BRIGA junto com diversas entidades e pessoas solidárias alertárom do salto qualitativo que esta operaçom supunha no nível de repressom do que a esquerda independentista vinha sendo objecto nos últimos anos. Dezenas de agentes mobilizados, centos de páginas dedicadas às diligências, intervençom de material informático e a solicitude de diversas medidas cautelares, tais como a prisom preventiva para @s detid@s ou a intervençom de telefones e correios electrónicos, eram monstra suficiente de que o Estado pretendia dar um passo adiante declarando a guerra aberta à esquerda independentista.

Este processo contou com o silencio cúmplice duns meios de comunicaçom que decidírom ocultar as detençons e levantar um muro de siléncio arredor do grave ataque que estas supunham para os direitos civís e políticos da juventude galega. Mas nom fôrom os meios @s únicos cúmplices da Guarda Civil. Também os partidos do sistema, incluídos os do suposto cámbio, que daquelas estavam colocados e preparados para a carreira eleitoral que os instalaria na política de moqueta definitivamente, optárom por botar terra sobre o assunto e olhar para o outro lado.

O passado 15 de Novembro, apenas seis meses após a operaçom "Cacharrón", a Guarda Civil cenificou o segundo acto desta farsa de inspiraçom fascista. Nesse dia, o independentismo galego seria objecto dumha histórica razzia policial, que tivo como conseqüências dez detençons, registos em moradas particulares e centros sociais assim como o linchamento mediático do conjunto do movimento, especialmente da organizaçom juvenil AMI.

Desta volta, e com as eleiçons ganhas, os gestores do sistema decidírom dar a máxima difussom às detençons e cenificar algo parecido ao que costumamos ver nos filmes, para demonstrar que a democracia funciona e que como afirmou o amigo Bugalho "colar cartazes, fazer pintagens e boicotar actos do alcaide" tem o seu preço. Mas nom fôrom estes os únicos que decidírom saltar à cena para comer um pedaço de bolo do protagonismo mediático. Também Tourinho, o presidente da Junta do cámbio, e Manuel Fraga, o presidente que substituírom, apressurárom-se a felicitar e apoiar a Guarda Civil polas detençons, cada qual no seu estilo e talante mas com o mesmo fundo.

Mas nom só. O flamente vice Quintana, transformado num desses espontáneos que saltam no meio do espectáculo para demonstrar as suas dotes, felicitou às Forças de Segurança do Estado por um trabalho bem feito, numha dessas declaraçons às que nos tem acostumado o autonomismo sobre a fortaleza do Estado de Direito, espanhol pois.

@s companheir@s e eu própria detid@s no mês de Junho fomos testemunh@s das agres queixas dos mandos da Brigada de Informaçom pola ineficácia dos "juízes de províncias" (sic) que faziam caso omisso das suas petiçons. "Si es que esto em Madrid no pasa" afirmavam contrariados os cacharrons e castinheiras.

A saída em liberdade d@s detid@s supom o segundo fracasso parcial para a operaçom da Guardia Civil, chame-se "Cacharrón" ou "Castinheiras". Nem sequer apresentando-se com o aval, inicial polo menos, da Audiência Nacional conseguírom "desarticular" organizaçom nengumha. Mas há que estar alerta ao seu seguinte passo. Se calhar na próxima operaçom que articulem contra o independentismo, botam mao do tribunal de Estrasburgo ou mesmo do Tribunal da Haia.

É evidente que devemos congratular-nos pola posta em liberdade d@s dez companheir@s e o translado das diligências a um julgado espanhol na Galiza. Mas a satisfaçom nom deve fazer-nos esquecer que já som 15 as pessoas processadas por associaçom ilícita e duas as organizaçons sociais sobre as que pende a espada de Dámocles da ilegalizaçom. Devemos afinar as nossas ferrametas organizativas, alargar a solidariedade e continuar golpeando um Estado que ainda apenas começa a mostrar-nos os dentes, com simulacros da sua omnipotência repressiva.


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A chamada "Operación Cacharrón" contra BRIGA foi o antecedente da actual "Operación Castiñeira", ambas dirigidas a combater a progressom do movimento juvenil independentista no nosso país