Instituto Cervantes escolhe Galiza para reivindicar mais espanhol na sua primeira reuniom da história fora de Madrid

13 de Julho de 2005
O espanhol Instituto
Cervantes, organismo criado por esse Estado para exportar a cultura espanhola
e principalmente o idioma a ela associada, reúne nestes dias e pola
primeira vez na sua história o conjunto de directores de centros ao
longo do planeta no Paço de Marinhám (concelho de Vergondo,
comarca da Corunha). Um encontro que vai além da retórica cultural,
para afirmar a promoçom do espanhol como parte da expansom económica
da burguesia espanhola e do seu ansiado submetimento definitivo das naçons
sem Estado peninsulares como a Galiza.
Além do
director do citado Instituto, César Antonio Molina (de origem corunhesa),
o evento de exaltaçom da língua espanhola está a congregar
dirigentes do PSOE de diversas administraçons, como a secretária
de Estado de Cooperaçom Internacional, Leire Pajín, o ministro
espanhol dos Negócios Estrangeiros, Miguel Ángel Moratinos,
o presidente da Deputaçom da Corunha, Salvador Fernández Moreda,
o presidente da Cámara corunhesa, Francisco Vasques, e o candidato
a presidente da Junta da Galiza, Emílio Peres Tourinho. Forte presença,
portanto, do sector mais espanholista chefiado por Vasques, que com esta iniciativa
e após o Desfile das Forças Armadas no passado mês de
Maio, confirma a continuidade dos actos institucionais de afirmaçom
espanhola no nosso país.
Quanto ao conteúdo
da primeira jornada, o presidente do Instituto Cervantes realizou umha despudorada
intervençom reclamando "acabar com um incompreensível complexo
de inferioridade" [referido ao espanhol] para dotar este de "maior
prestígio cultural". Declaraçons que assumem umha feiçom
provocadora quando referidas ao espanhol e pronunciadas na Galiza, umha vez
que a imposiçom dessa língua está a colocar o galego
em grave risco de desapariçom no seu território de origem.
Junto da arrogante
reivindicaçom do espanhol, César Antonio Molina recorreu ao
discurso paternalista para falar da difusom das "outras línguas
do Estado" em termos de "imperativo moral e cultural", mas
sem reconhecer em nengum momento a responsabilidade da histórica imposiçom
do espanhol na precária sistuaçom actual da nossa comunidade
lingüística.
O encontro de Vergondo, além da clara provocaçom que supom para a situaçom opressiva que padece a nossa língua, reafirma os pontos de contacto existentes entre o PSOE e o próprio BNG quanto ao papel que reservam ao galego como "mais umha língua espanhola". Lembremos que o BNG reclamou repetidamente nos últimos anos que o Instituto Cervantes inclua o galego nos seus programas de difusom da cultura espanhola no mundo, e que o próprio PSOE incluiu no seu programa eleitoral a promoçom do galego no exterior através do próprio Instituto Cervantes e da criaçom do "Instituto Rosalia de Castro".
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