Quatro imigrantes mortos na fronteira de Ceuta, dous por balas de borracha da Guarda Civil

29 de Setembro de 2005

O Governo espanhol continua a apostar na via violenta para enfrentar a chegada de massas empobrecidas africanas que tentam aceder a território da Uniom Europeia através das colónias espanholas no norte de África. A última intervençom repressiva da Guarda Civil produziu mais de 100 pessoas feridas e quatro mortas, duas delas por disparos com balas de borracha do corpo militar espanhol.

Segundo os media espanhóis, entre 500 e 600 imigrantes tentárom ultrapassar as vedaçons metálicas e de arame farpado com que o Estado espanhol pretende evitar a entrada do que chama "ilegais". A Guarda Civil, que já em dias passados matou mais imigrantes subsaarian@s na fronteira de Melilha, voltou a agir com grande dureza. Umha pessoa morreu presa ao pescoço polo arame farpado e outra ao ser esmagada pola vaga humana, segundo fontes oficiais, que reconhecem a morte por ferimentos de bala de outros dous imigrantes num hospital de Tetuám.

Outras 80 pessoas teriam conseguido aceder a território oficialmente espanhol, enquanto 100 tivérom que ser atendidas de ferimentos de diversa consideraçom. De qualquer maneira, os dados som confusos, pois fontes policiais de Ceuta chegárom a informar de seis pessoas mortas, o que depois desmentírom.

As precárias avalanchas de pobres estám a ser contestadas polo Estado espanhol em termos quase bélicos, a começar pola linguagem dos cargos políticos ceutis, que falárom de "garantir a defesa da cidade", como se de ataques militares se tratasse. A realidade é que se trata de contingentes de desempregad@s e pobres das mais diversas procedências subsaarianas, que tentam arranjar um emprego na Europa e poder ajudar as famílias que ficam vivendo em péssimas condiçons nas áreas mais pobres de África.

Em lugar de combaterem a pobreza, os governos ocidentais optam por "combater os pobres" e, nessa linha, o Governo espanhol já anunciou o envio de tropas militares para apoiar a repressom da Guarda Civil contra as pessoas famentas que procuram umha saída à situaçom de miséria a que o capitalismo mundial condena o continente africano.

De facto, o secretário de Estado espanhol para a Segurança, Antonio Camacho, confirmou que a acçom repressiva continuará a guiar a política institucional neste assunto. Em concreto, dixo que "é altamente provável que podam sobrevir situaçons nom desejadas, nom só na integridade física dos assaltantes, como também dos agentes".

Nengumha proposta concreta para mudar as condiçons estruturais que provocam a imigraçom maciça à Europa foi anunciada polo Governo espanhol nem por nengum outro da Uniom Europeia, que só pensam em blindar ainda mais o privilegiado território europeu frente à chegada de pobres.

 

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Vista parcial da dupla barreira de arame farpado na fronteira entre Marrocos e a colónia espanhola de Ceuta