BNG dá novas pistas sobre a reforma estatutária "sem rupturas" que defende

31 de Outubro de 2005

Com motivo do debate que na próxima terça-feira se dará no Congresso espanhol sobre a proposta de novo Estatuto autonómico da Catalunha e o início dos trabalhos para a reforma do Estatuto da Galiza, o BNG deu novas pistas sobre as suas aspiraçons para o que sem dúvida será um novo espartilho institucional espanhol imposto ao nosso país.

Assim, o deputado no Congresso espanhol e verdadeiro líder do projecto BNG, Francisco Rodrigues, declarou que apoiará a reforma catalá, na medida que o texto nom representa "umha ruptura", senom umha "nova ideia de Estado espanhol". Deste jeito, o secretário geral da UPG acusou de "intoxicaçons do PP" pretender que "a naçom conleva já obrigatoriamente um Estado próprio e portanto a independência".

Em linha com o doentio anti-independentismo do seu partido, Rodrigues insistiu em romper com a lógica identificaçom entre identidade nacional e vocaçom independentista, apesar da evidência de dúzias de exemplos nos mais diversos movimentos de libertaçom nacional de todo o mundo. Com efeito, qualquer nacionalismo defensivo minimamente maduro aspira à completa soberania e emancipaçom nacional para, em todo o caso, decidir a partir daí o tipo de relaçom que quer estabelecer com outros povos vizinhos.

Porém, Francisco Rodrigues, tal como costuma fazer Anxo Quintana, parece empenhado em convencer os espanhóis de que a Galiza renuncia à possibilidade de se constituir em Estado, rebaixando assim o debate territorial à definiçom "de umha nova ideia de Estado espanhol" e pretendendo mais umha vez evitar ser identificado como "separatista".

Segundo recolheu o "serviço de notícias" do web da RTVG, o deputado do Bloque em Madrid acha que o projecto de reforma estatutária catalá "responde a umha nova ideia do Estado espanhol e nom à sua ruptura", e ao debate "entre a Espanha tradicional, inquisitorial e absolutista" e "a Espanha plurinacional e com entidades políticas diferenciadas que tenhem um projecto comum". O BNG optaria por esta segunda opçom, descartando que seja o próprio povo galego quem decida livremente o estatuto que quer assumir como naçom livre.

Quintana também dá pistas

Mas Francisco Rodrigues nom foi o único dirigente do BNG a dar pistas sobre a rota que essa organizaçom irá seguir nos próximos meses no debate territorial. Também o vice-presidente da Junta, Anxo Quintana, deu novos elementos que confirmam a aposta autonomista e contrária à defesa efectiva da autodeterminaçom nacional.

Em concreto, Quintana falou de redefiniçom do modelo de relaçom com o Estado, um modelo que denominou "cooperaçom inteligente" (?) e "entre iguais", o que bate com o procedimento que a seguir explicitou. Assim, o dirigente autonomista apelou a um consenso entre os três partidos com representaçom no Parlamento autónomo, para a seguir submeter o texto resultante ao Congresso espanhol e só no fim do processo, sem mais opçons nem alternativas, apresentá-lo em referendo como acontecera com o Estatuto actualmente em vigor.

Mais umha vez, as fórmulas propostas polo BNG excluem o exercício do direito à autodeterminaçom, assumindo a configuraçom actual do Estado espanhol como inevitável e descartando a legítima aspiraçom a constituirmos um Estado próprio nesta histórica naçom da Europa ocidental.

 

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Francisco Rodrigues insiste: o BNG quer umha reforma do Estado espanhol "sem rupturas"