Maio pola língua: que a voz nom esmoreça!

13 de Maio de 2005

Reproduzimos a seguir o artigo da autoria de Maurício Castro, publicado polo Portal Galego da Língua, dedicado a expor a necessidade de sairmos à rua no próximo domingo em defesa da língua, aderindo à convocatória de catorze entidades normalizadoras e culturais galegas.

 

Maio pola língua: que a voz nom esmoreça!

Maurício Castro

Há ainda quem acredite que, nisto da língua, só falta a chegada ao poder do governo "adequado" para a normalizaçom chegar de maneira automática. Até há poucos anos, também se negava a gravidade da situaçom lingüística que vivemos, acusando-se de alarmista quem afirmava umha evidência que finalmente a própria UNESCO acabou por diagnosticar, mesmo que fosse de maneira errática, pois nom é bem a nossa língua que está em perigo de extinçom. É a comunidade lingüística que ainda a fala a Norte do Minho.

Pouco consolo, já o temos escrito outras vezes, sabermos que o galego tem garantido o futuro através de poderosos estados com muitos milhons de falantes que figérom do nosso idioma um dos mais falados no mundo. Pouco consolo para quem nom reduzimos a unidade lingüística a fetiche substitutivo ante a frustraçom de vermos esmorecer o galego na terra que lhe deu a vida.

E como alguns nom interpretamos a nossa consciência lingüística em chave essencialista, e sim como parte de umha vontade de existir historicamente conformada e assumida, a vontade de sermos e agirmos como galegos e galegas aqui e agora, rejeitamos por igual quaisquer fetichismos e essencialismos que funcionem como anestésicos da nossa consciência actual. Se algumha cousa aprendemos do em tantos aspectos exemplar caso irlandês, é que nengum governo, nem o mais avançado e comprometido, pode garantir a subsistência por decreto de umha identidade lingüística que a maioria social previamente nom assume.

Por isso nom servem, especialmente em matéria lingüística, as promessas eleitorais nem as declaraçons de intençons para um futuro nom lavrado por nós próprios, substituído por um outro apenas sonhado com atitude contemplativa. Só servem os factos, os passos que conseguirmos caminhar no presente do dia a dia.

É com esse espírito que no próximo domingo teremos ocasiom de dar mais um passinho na direcçom certa da tomada de consciência e a afirmaçom da própria identidade, saindo à rua na capital da Galiza em defesa dos nossos direitos lingüísticos. Catorze entidades culturais e centros sociais de diversas comarcas galegas, incluída umha berziana, convocam-nos a retomar a luita pola língua, a partir de um simples decálogo que situa, como deve ser, as nossas aspiraçons em matéria normalizadora nas antípodas das que as instituiçons actuais reservam para um país que querem ver assimilado de vez.

Sabemos que a situaçom que vivemos é grave, diagnóstico recentemente confirmado polo eloqüente consenso entre os partidos representados no Parlamento autonómo, ao aprovarem conjuntamente um novo Plano de Normalizaçom já morto à nascença. Reconheçamos também que só a capacidade da própria autoorganizaçom dos sectores concretos interessados em levar avante um processo normalizador poderá mudar o azar que a história escrita e ditada por Espanha nos reserva.

As modestas iniciativas que nos últimos tempos tenhem surgido em diversos pontos da Galiza, em forma de centros sociais, projectos musicais, meios de comunicaçom impressos e digitais, ou convocatórias como a do próximo domingo, som um pequeno sopro de ar fresco que deve fazer-nos reagir ante um marasmo geral que só favorece a definitiva imposiçom do espanhol.

Saiamos à rua pola língua, para fazer realidade as letras de compromisso e esperança do lembrado José Afonso, dedicadas ao "Maio maduro": Que importa a fúria do mar, que a voz nom te esmoreça, vamos luitar.

Vemo-nos domingo em Compostela.

 

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