Partido Popular quer levar celulose de ENCE para a comarca de Trasancos

18 de Setembro de 2005

Aproveitando o poder local que detém em vários concelhos da Terra de Trasancos, o Partido Popular lançou aos meios de comunicaçom a proposta de levar para essa comarca do Noroeste galego a poluente celulose de Ponte Vedra. Umha vez que o movimento popular, com anos de luita, parece ter conseguido que antes de 2018 a sua comarca se veja livre dessa indústria, o PP nom renuncia a levá-la a outra zona do nosso país.

Foi Juan Juncal, o presidente da Cámara Municipal de Ferrol polo PP, quem declarou que ele e os outros representantes municipais do PP em Sam Sadurninho e Moeche oferecerám terrenos para que seja reinstalado ali um complexo industrial como o de ENCE, porque, assegurou "Galiza nom pode deixar ir por água abaixo a sua riqueza florestal".

O que Juncal denomina "riqueza florestal" é na realidade um país invadido pola peste do eucalipto, empobrecedor da variedade, riqueza e qualidade da massa florestal autótone galega, e propagador dos fogos florestais que cada Verao arrasam mais e mais hectares dos montes da Galiza. Com efeito, a trasanquesa é umha das comarcas com mais extensom e produçom de eucalipto, que alimenta plantas como a de ENCE em Ponte Vedra.

Em termos semelhantes aos de Juncal, quase aparentando defender posiçons "nacionalistas", o presidente da Cámara de Sam Sadurninho, o "popular" Constantino Bedoia apoiou a iniciativa do seu patrom provincial: "aqui temos um capital muito importante, que é a matéria prima [o eucalipto], e continuamos a ver como o que dá riqueza, que é a sua transformaçom, vai para fora".

O PP reivindica assim, com total descaramento, um modelo de política florestal como o que ele próprio conduziu nas últimas décadas, que condenou a Galiza rural ao abandono, destruiu o equilíbrio ambiental e estendeu os fogos como nunca antes.

Nom é a primeira vez que o capital espanhol propom a instalaçom de papeleiras na comarca de Trasancos. Empresas como PAPELGA tentárom nas décadas de oitenta e noventa, com empenho directo de José Maria Cuevas, presidente do patronato espanhol e integrante de aquelas iniciativas financeiras, criar novas celuloses semelhantes à pontevedresa, mas os projectos nom dérom certo por diferentes motivos.

Agora o PP ressuscita a ideia de aproveitar a crise estrutural a que o capitalismo espanhol tem conduzido a deprimida comarca trasanquesa para lhe impingir projectos industriais que ninguém quer, chamando a isso "dinamizaçom da comarca" e "aproveitar o nosso potencial".

Entretanto, o verdadeiro potencial da comarca, a Ria de Ferrol, é agredida por recheios, despejos incontrolados e outros empreendimentos como o porto exterior à entrada ou a planta de gás em Mugardos, que contam com o apoio nom só do PP, mas também do BNG e o PSOE. Quanto ao principal sector industrial, o da construçom naval, continua condenado à progressiva desapariçom, o que políticos e empresários especuladores aproveitam para levar novas iniciativas contrárias ao verdadeiro desenvolvimento socioeconómico e ambiental de Trasancos.

NÓS-Unidade Popular reagiu já contra a ameaça de traslado da celulose de ENCE para Trasancos, mediante um comunicado que pode ser consultado no web nacional da organizaçom independentista.

 

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A ideia do traslado da celulose dá asas aos líderes do PP em Trasancos para reclamarem levá-la a um dos concelhos que dominam, no Noroeste da Galiza. Umha indústria como essa deve ser fechada definitivamente e nom trasladada a nengum outro local